CAMPO DOS GUAICURUS

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quarta-feira, 23 de abril de 2008

O ETERNO RETORNO DE NIETZSCHE


Dar o testemunho de um tempo pode ser algo assustadoramente vazio. Melhor a ingenuidade, melhor morrer como nasceu... Sem e nem... Ou melhor não, se acreditarmos na estranha imortalidade e não na banal imortalidade. Se acreditarmos num Deus muito mais particular do que qualquer iludido homem de púlpito poderia considerar. Nietzsche estava fazendo uma de suas caminhadas vespertinas na Suíça e então, repentinamente "descobriu" que se o Universo tivesse um objetivo já o teria cumprido; que se houvesse uma finalidade na vida do mundo, esta já se teria realizado. Então concluiu que as coisas simplesmente acabam e recomeçam e que somos muito mais dependentes de nossa vontade para registrar uma vida, do que imaginamos.

Nietzsche não deu certo com mulher alguma, talvez tenha amado uma "jovem russa", talvez tenha realmente desejado e amado a irmã, numa incestuosa paixão que não tem todos os créditos biográficos para nela se crer. Talvez o fato gideano (bons sentimentos, péssima poesia), tenha, no caso de Nietzsche, com a ausência de uma amor para lhe afrouxar a vontade sobre coisas mais "sérias", é que tenha possibilitado a construção das maravilhas "que conhecemos" (ponho entre aspas porque é impossível realmente se apossar da obra nietzschiana com totalidade, creio...). Mas de forma alguma esse homenzinho deixou de ter amor, o fato de lhe atribuírem o assassínio do Deus teórico, esconde talvez, o mais forte "homem de Deus", que pode ter existido. Nietzsche, como bem poucos (mesmo), segurou em suas mãos a chave do universo, os mistérios todos do mecanismo da vida, e se reparar-se bem, tomou o partido do homem com Deus... Mas, reparar bem nas coisas é tão difícil... Morrer pelado como viemos, uma saída fácil, larga, tão sem sal, mas tão cada vez mais em voga... Morrer pelado (nu com a mão no bolso, diria Roger), e sentado ali em frente aquele hábil inseridor de ordens... Pelado, sem poesia e fazendo apenas o papel de grão do tempo, esse sim, eterno, conforme o maravilhoso homenzinho bigodudo.

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