CAMPO DOS GUAICURUS

CAMPO DOS GUAICURUS

domingo, 20 de abril de 2008

NÃO POSSO JULGAR

no sentido de apontar esse ou aquele critério, opção, como melhor. Mas, de certa forma sou obrigado a julgar, no sentido de que posso e devo fazer escolhas. Não é o caso de não ficar em cima do muro por obrigação moral, é sim caso de não ficar porque é impossível não optar. O pólo sul da ignorância é o ódio, o pólo norte da alegria é a loucura. Nem um nem outro eu quero. Viajo entre os dois, no espaço e no tempo. E principalmente viajo entre as pessoas, seus mundos, suas coordenadas. De acordo com as atitudes alheias, conforme suas ações e reações, construo minhas escolhas. Procuro entender que o mundo todo é feito de escolhas, a partir do momento que desconsideramos a grande parcela do destino, que põe um guri nascendo na Etiópia outro no Canadá. Maquiavel, no seu estilo genial, lembra que podemos governar ao menos um trecho de nossos destinos e que podemos nos dar a prever determinados eventos. É, obrigado “Maqui”, foi graças ao teu “toque”, que ontem não fui à ruína total da crença nas pessoas. Eu estava prevenido, até... Mesmo que no momento do baque, tenha sido balançado nos principais alicerces, consegui a sanidade necessária para realinhar os pensamentos que obrigam a acreditar no destino humano. O eixo manteve-se intacto, reconstruí a partir da previdência que guardou em mim o óleo perfumado e balsâmico que explica com simplicidade que as pessoas não nos decepcionam, nós é que construímos um exagero sobre o que esperamos das pessoas, e conseqüentemente destruímos o que realmente não existia, e construímos uma decepção! “Putz, como ele(a), pôde fazer isso?” . Na realidade deveria ser “Putz, como avaliei mal a estrutura vital dessa pessoa”, e seguir adiante, com tanta naturalidade quanto a ovelha mãe que Saramago põe a cheirar o filhote que levou uma acidental cajadada, e que ao ver que não há vida no filho, recomeça a pastar como há poucos minutos. Não creio que exista espaço em meu ser para desilusões amorosas sejam no quanto à amizade ou no quanto a uma mulher. Não porque eu tenha hoje um coração de aço, de forma alguma, pois aí não seria poeta. Sim porque algo está definido em mim, a ilusão. A ilusão existe, mas apenas em liberdade plena no exercício da arte. Em minha vida ela surge e em menos de um segundo é acorrentada com um tipo de material que faz o titânio parecer manteiga. Tenho quatro filhos novos, não sei até quando serão realmente filhos meus, espero que para Sempre, na ordem: Diogo, Wilken, Willian e Bruno. Eles têm me causado grande esperança e fé, até hoje, dia 20 de 04 de 2008. Espero que a evolução de tudo mantenha sempre a amizade como a construção de poesia a que se refere Heráclito na abertura de “A Parte do Fogo” (M. Blanchot). Esse fato, de esses meninos e alguns outros amigos deles estarem comigo ajudando a construir a “família que escolhemos”, tem me feito imaginar que fiz a opção correta ao não matar em mim a crença na 9ª de Beethoven, Schiller e Jesus Cristo. Não acredito em Deus, não acredito em Jesus Cristo, na forma que as Igrejas (ah, como gostaria de escrever com i minúsculo), principalmente as “New”, -que tem aqueles verdadeiros templos virtuais sobre os quais fico curioso quando infiro sobre o que um Jesus que chutou toda a vendilhagem “no Templo” diria sobre...- contam sobre propósitos... Mas acredito em Deus ou Deuses e em Jesus Cristo. No primeiro como o mais bem guardado segredo da Natureza, e no segundo, com a estranheza de que ele e não qualquer outro que fez aparentemente igual ou mais, como uma Luz para a fraternidade.
É, novamente... Gide, tens razão...”Oh, dínamo maldito, bendito dínamo”... Sabe, que bom, que madrugada abençoada essa em que te encontrei sem a máscara que em ti eu tinha posto... Boa sorte, você merece a vida como nela acredita... :o) .

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