CAMPO DOS GUAICURUS

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sábado, 5 de abril de 2008

EU SEI, É DESCONEXO, MAS A ORDEM É TÃO MISERAVELMENTE FILHA DA ORDEM DO CAOS.

















A primeira foto tirei de um blog bem montado. Infelizmente não salvei o endereço. A segunda figura, segundo informa o Google, é o quadro "Duel", de Goya. O homem é André Gide, um grande poeta e pensador da arte, francês. A outra figura representa o Caos, fazendo o nascimento de mulher e homem. A Liberdade do homem está entre mulher e homem... E seu norte depende dessa tênue liberdade, e sua liberdade do norte... Pólo Mulher, Pólo Norte, Pólo Homem... Oh, homem, oh mulher, ó norte...

Tenho uma mórbida atração por assistir o fim de coisas que são previsivelmente de fim melancólico a favor do mocinho, aquele que deve ser o vitorioso, segundo meus critérios. E uma das lascas do meu lado negro da força é que não tenho pena de imbecis que se debatem no final de um acerto de contas. E sou cretino o suficiente para lhes sorrir e bater no ombro. Patifes merecem meu lado sombrio, e o têm, afinal, em doses maciças. A prisão me ensinou a lidar com janotas, fiz doutorado em perceber patifarias. Lá, ou se aprende isso, ou morre; preferi aprender. Serei verdadeiro com meia dúzia e com a Literatura, essa é a principal regra do jogo, o resto... É o resto!
Não cheguei a – como Thanous – me apaixonar pela morte... Mas conheci dela, bem de perto, os lábios... E todos que já estiveram mais de uma vez bem próximos da morte –digo, realmente, nada de bravatas- sabem o que digo. Lábios, eu disse, porque há uma estranha atração entre o homem e a morte, como entre o homem e a dor, e entre o homem e a tirania... Saber do grande prazer que é escapar desses três elementos tenta o homem, e a simples tentação já lhe causa prazer.
E viver com mais verdade, com qualidade de alma, de percepção, implica se livrar do verbo agradar... E das palavras “politicamente” e “correto". No momento da escrita, agem forças... Que forças, não sei. Até mesmo o poderosíssimo e ateu Saramago diz: "algo me sopra a escrita". Então, você entra numa espécie de comunhão, e não pode aceitar nem evitar a tentação de escrever para uma platéia... Isso acontece, mas num seriíssimo faz de conta... Como se você fosse uma leoa à espreita, mas se fazendo de que nada quer... então vai dando o bote nas presas, sem esquecer o que dizem dois sujeitos, um inglês e um francês: Wilde: "nunca despreze uma primeira opinião"; Gide: "com bons sentimentos se faz péssima poesia e literatura". Como eu já disse, com franqueza, há potencial. Isso é o mais importante, assim como não ter medo de sair na chuva se "ouvir" seu convite; gripe-se e sinta o prazer da cura por ti própria... Por aqueles que gostam de ler, de escrever, pois de sobra há no mundo o contrário disto... E por isso o mundo está doente, por recusar a própria herança, a capacidade de melhor desnudar tudo que pode.
Estou cansado de muita coisa, então, a arte é meu regaço...putz, será que essa palavra calhou mesmo? Creio que sim, mesmo sendo ambígua, afinal todos os regaços, de uma forma ou outra são bons. Mas o que eu quis dizer é colo, a arte me dá sempre colo. Bem, sendo assim é que peço que compreendam que não sou sempre de bom senso quando escrevo. Toda vez que tentam colocar bom senso na arte, ela mostra que dá as cartas desde o princípio e que o princípio foi, é e será Caos, oh... Meus princípios... Bem,

3 comentários:

Bípedes disse...

Retorno para agradecer sua visita ao meu blog. Sinto-me linjeado por vossas palavras.

Meu caro Sempiterno, a arte hoje, é usada no seu melhor sentido, para que muitos se refugiem do sofrimento do caos da vida. O homem estaria irremediavelmente perdido,se em sua existência não houvesse o sufferre. A criação seria limitada e todo fim falso.

Um amplexo!

Bípedes disse...

Lisonjeado!

RicardoCG disse...

Meu amigo é muito bom estar sendo agraciado pela sua escrita, de poder ver o prazer em que tem ao fazer isso, e como o faz bem. Seu blog agora terá visitas constantes desse seu fã (sabes que não pieguice) abraços.