CAMPO DOS GUAICURUS

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domingo, 13 de abril de 2008

DONTCRYFORMEARGENTINADONCRYFORMEDANTE











Sou um homem muito triste. Não sei se serei assim amanhã. As pessoas em geral, mesmo as um pouco mais sábias, ou mais sábias, e esmagadoramente as tolas, pensam sobre tristeza que seja apenas algo não bom, em mim. E o consolo me enoja, acho-o aviltante para dizer a verdade. E não é o caso, que ser melancólico é coisa ruim; minha tristeza é parte do que de melhor tem o dínamo que alimenta o que de menos pior fiz em minha vida. Sabe, eu sei que decepcionei a todos que amei, e sei que com isso talvez os tenha impedido de me amar. Sou melancólico, saudoso, porque meus sonhos me salvam da loucura através da loucura, e me impedem de ter uma profunda desistência da vida. Choco-me com o quero, quase que o tempo todo, ao invés de entrar em acordo comigo próprio ou acordar-me. Uns poderiam dizer : “putz, que momento ‘emo”, ao que eu aproveitaria para aconselhar que não julguem nem uma nem outra coisa precipitadamente, nem o que seja “emo”, e muito menos a relação minha com isso, que não passa de uma admiração pelo Blink 182. O povo argentino é melancólico, triste, chorão, em grande parte. Choram muito por coisas justificáveis e por bobagens, nisso sou meio argentino. Gosto muito, por exemplo, do Boca Júniors, e ao mesmo tempo não gosto. Amo filmes do Woody Allen: Vocês sabiam que a Argentina é aonde mais se assiste Woody Allen depois de Nova York? E sabiam que é o país que mais psicólogos tem por metro quadrado? Eu não choro pela Argentina, choro por mim muitas vezes, pela minha solidão irremediável, pela incapacidade de ser simples (não no sentido tolo), choro pelos momentos pobres e miseráveis que passei, passo e que vou passar, pela minha ingenuidade; choro principalmente porque gostaria que percebessem que sou apenas eu, mas que tenho direito de ser feito de alma e de sonhos. Cobiço as mulheres mais inteligentes do mundo, desejo mulheres indesejáveis, desejo mulheres proibidas, desejo ser Máximus, desejo ser Shakespeare, Dante, Milton; Diogo Mainardi, desejo fazer amor com uma amiga tão proibida a mim, e desejo beijar a boca de Madeleine Stowe. Desejo me casar com quem não consigo, e a acho a mulher mais maravilhosa do mundo, desejava a amar e não consigo. Desejo conhecer o mundo antes de morrer, e como? Se já me sinto morto há tanto tempo. Tantas mulheres especiais cantam Dont Cry for me Argentina, Madonna, Sara Brightman, Rita Pavone, Sinead O’connor, Elaine Paige, Olívia Newton John... Escolhi Sara Brightman, não que seja a melhor interpretação. Vocês podem encontrar várias outras que elegerão. Mas toda vez que ouço Sara Brightman cantar “Time to Say Boodbye”
aqui: http://www.youtube.com/watch?v=BLHq7rgHOLk&feature=related ),
sinto uma gostosa vontade de chorar porque entro em comunhão com minhas lutas todas e minha auto-piedade. Então, eis aí a eleita:
http://www.youtube.com/watch?v=vn4UyQzHiQ8 .
Oh Argentina, minha Argentina... Como me entendes... Como te endendo...

Um comentário:

RicardoCG disse...

Meu caro amigo, que inquietude seria essa nesse texto ... será que vejo o coração do poeta apaixonado,sim um ser que deseja, que quer ser invadido, refutado, entrar na floresta do amor e ser queimado em fogueiras dionisíacas, me veio em mente um aforismo de Niestzche “amo mais o desejo que o desejado”. Lembre-se que não estou definindo nada apenas estou sendo metafórico, a arte e livre a poesia e viva, e não coloco margens em suas palavras apenas aprecio-as, procurar entende-las seria como castrar a fertilização do artista, o artista não quer ser entendido precisa ser apreciado.