CAMPO DOS GUAICURUS

CAMPO DOS GUAICURUS

segunda-feira, 28 de abril de 2008

O GIZ E A ÁRVORE




A FOTO ACIMA PERTENCE AO ACERVO FOTOGRÁFICO DE GUTEMBERG RODRIGUES OSTEMBERG -com muito orgulho de minha parte, meu irmão. ESCOLHO-A COMO UM BELÍSSIMO TRABALHO DELE, E MINHA ESCOLHA TEM ASPECTOS PARTICULARES, NO ENTANTO ELE TEM UM CONJUNTO DE BELÍSSIMAS FOTOS, MUITAS DELAS PREMIADAS. INCLUSIVE, RECENTEMENTE (ABRIL DO ANO 20008) UMA DE SUAS FOTOS, MOSTRANDO CAMPO GRANDE, A CAPITAL DE MATO GROSSO DO SUL, FOI ESCOLHIDA PARA LISTAR UM LIVRO DE RELEVÂNCIA INTERNACIONAL NO MUNDO DA FOTOGRAFIA. RECOMENDO QUE OLHEM ALGUNS DE SEUS TRABALHOS NOS BLOGS:
No filme "Amor sem fronteiras", volta-se à Etiópia quanto aos registros históricos modernos mais terríveis que dela vimos. O filme revisita o pior dos flagelos, a fome. Embora enquadrado nos padrões "propaganda de xampu", e em células carregadas em exagero na interpretação, o filme consegue tirar nossa fome pela pior maneira, pelo remorso. E toca numa ferida que não pode ser escondida pela "vitória" do Capitalismo.

Há milhões com fome, e a humanidade, para não se perder para sempre de si própria, tem que fazer algo. E esse assunto, além da violência e descaso por tantas coisas importantes, desanca a poesia simples.
Feroz e incomprendido por grande parte dos próprios fãs, Renato arremeteu contra o descaso humano... No entanto, hoje, o que olhei dele me fez ir no tempo sem tempo, numa varanda cheia de perfume, frescor, e com gente e conversa especial numa tarde eterna. Me senti novamente no Arlindo Lima, apaixonado pelo meu primeiro amor...

A música é essa aqui: http://www.youtube.com/watch?v=vmusMYcwiM8 , Giz... E meeessmo sem te ver, acho até que estou indo bem, só apareço por assim dizer quando convém aparecer... ou quannndo queeeero, quan-do queeeeero... Desenho toda calçaaada, acaba o giz, tem tijolo de construção, eu rabisco o sol... que a chuva apagou, quero que saibas...
Então... é isso, e mais... O Renato é para mim o maior poeta da música brasileira, mesmo com Chico tendo escrito a BARBARÍSSIMA "Geni e o Zepelin" e outras jóias raríssimas...

Para mim Renato compreendeu o mundo da melhor e pior forma... Soube dele tirar a comédia, a tragédia, o drama, mas, sobretudo o romântico em sua melhor forma, sem início e sem fim... Ele é nosso, é dos nossos, é Sempiterno... Falar mal dele é fácil, ainda mais num mundo em que cada vez fala-se mais facilmente mal de quem Fez e faz Arte, mesmo. Mas tudo bem... tudo bem...

Hoje vi uma coisa linda mais uma vez, "a árvore do meu irmão"... Eu rabisco o sol... A árvore... o sol... a água... árvores e giz... sustentam ainda o mundo... Eu rabisco o sol e as árvores o ar... enquanto podemos... rabisquemos... o sol... as árvores...

sexta-feira, 25 de abril de 2008

CASO ISABELA





Todos estão falando sobre isso. Porque hoje, o "todos" é televisão. E televisão é show, até a fé, (gosto de pensar o que Jesus Cristo Real diria sobre isso) dá show, e vende de tudo, na TV. Então, os poetas (estou falando de certo tipo de poetas, não dos bordadeiras de plantão, falo de poetas que ficam com sangue da melancolia em constante queima), na maioria tem silenciado. Isso me recorda Montaigne, no início de seu livro Pensamentos (na verdade uma bíblia que sangra), conta a história de dois reis, um que venceu, e outro desastrosamente derrotado... O vitorioso observa atentamente o derrotado olhando os atos e fatos, saldos funestos da guerra. A filha do derrotado passa-lhe a frente, na condição de escrava, indo buscar água em pesados cântaros, em seguida lhe passa o filho a frente, indo para a execução... Às duas situações, o rei nem se mexe, olha impassível. Mas, ao passar um seu antigo funcionário para ser flagelado e morto, ele demonstra grande desespero. O rei vitorioso não se contém e vem indagar sobre a questão, ao que responde o outro: "As duas primeiras dores são inexprimíveis"... Ver o espetáculo sobre "a questão Isabela", danifica em grande parte o que deveríamos ter de uma alma conjunta... Quantas Isabelas existem? Quantas pobrezinhas de bairros paupérrimos, ou mesmo de "média baixa", já sofreram de tantos outros tipos de inferno sob o silêncio midiático? Mas, isso virou fichinha e é algo que ganha da questão "ovo ou galinha primeiro?"... O que é estranho, é ver um sujeito de óculos, todo sorridente (mesmo), todo doutor, dizer: "veja bem, fulano" (a um desses entrevistadores semi-descartáveis)... Sorrindo, como se tratasse da coisa mais banal do mundo, e não do assassinato brutal de uma criança. Participante de um show de abutres, e de um infernal jogo vindo de emaranhado legal e decisões jurídicas... Gostaria de saber como seria essa questão em alguns países e suas justiças. E não estou falando de justiça como órgão...
Bem, os poetas estão em silêncio, não todos, alguns mais chinfrins como eu, abrem a boca... Pouco, comedidamente, mas abrem. E dentro de nós, poetas... Não só por Isabela, mas por Isabelas mortas e vivas (sob lenta tortura), choramos o choro de Montaigne... E por que não torcer por justiça? Torcer (bastante desconfiado) para que haja um desfecho exemplar... Em que você acredita?

quarta-feira, 23 de abril de 2008

O ETERNO RETORNO DE NIETZSCHE


Dar o testemunho de um tempo pode ser algo assustadoramente vazio. Melhor a ingenuidade, melhor morrer como nasceu... Sem e nem... Ou melhor não, se acreditarmos na estranha imortalidade e não na banal imortalidade. Se acreditarmos num Deus muito mais particular do que qualquer iludido homem de púlpito poderia considerar. Nietzsche estava fazendo uma de suas caminhadas vespertinas na Suíça e então, repentinamente "descobriu" que se o Universo tivesse um objetivo já o teria cumprido; que se houvesse uma finalidade na vida do mundo, esta já se teria realizado. Então concluiu que as coisas simplesmente acabam e recomeçam e que somos muito mais dependentes de nossa vontade para registrar uma vida, do que imaginamos.

Nietzsche não deu certo com mulher alguma, talvez tenha amado uma "jovem russa", talvez tenha realmente desejado e amado a irmã, numa incestuosa paixão que não tem todos os créditos biográficos para nela se crer. Talvez o fato gideano (bons sentimentos, péssima poesia), tenha, no caso de Nietzsche, com a ausência de uma amor para lhe afrouxar a vontade sobre coisas mais "sérias", é que tenha possibilitado a construção das maravilhas "que conhecemos" (ponho entre aspas porque é impossível realmente se apossar da obra nietzschiana com totalidade, creio...). Mas de forma alguma esse homenzinho deixou de ter amor, o fato de lhe atribuírem o assassínio do Deus teórico, esconde talvez, o mais forte "homem de Deus", que pode ter existido. Nietzsche, como bem poucos (mesmo), segurou em suas mãos a chave do universo, os mistérios todos do mecanismo da vida, e se reparar-se bem, tomou o partido do homem com Deus... Mas, reparar bem nas coisas é tão difícil... Morrer pelado como viemos, uma saída fácil, larga, tão sem sal, mas tão cada vez mais em voga... Morrer pelado (nu com a mão no bolso, diria Roger), e sentado ali em frente aquele hábil inseridor de ordens... Pelado, sem poesia e fazendo apenas o papel de grão do tempo, esse sim, eterno, conforme o maravilhoso homenzinho bigodudo.

domingo, 20 de abril de 2008

NÃO POSSO JULGAR

no sentido de apontar esse ou aquele critério, opção, como melhor. Mas, de certa forma sou obrigado a julgar, no sentido de que posso e devo fazer escolhas. Não é o caso de não ficar em cima do muro por obrigação moral, é sim caso de não ficar porque é impossível não optar. O pólo sul da ignorância é o ódio, o pólo norte da alegria é a loucura. Nem um nem outro eu quero. Viajo entre os dois, no espaço e no tempo. E principalmente viajo entre as pessoas, seus mundos, suas coordenadas. De acordo com as atitudes alheias, conforme suas ações e reações, construo minhas escolhas. Procuro entender que o mundo todo é feito de escolhas, a partir do momento que desconsideramos a grande parcela do destino, que põe um guri nascendo na Etiópia outro no Canadá. Maquiavel, no seu estilo genial, lembra que podemos governar ao menos um trecho de nossos destinos e que podemos nos dar a prever determinados eventos. É, obrigado “Maqui”, foi graças ao teu “toque”, que ontem não fui à ruína total da crença nas pessoas. Eu estava prevenido, até... Mesmo que no momento do baque, tenha sido balançado nos principais alicerces, consegui a sanidade necessária para realinhar os pensamentos que obrigam a acreditar no destino humano. O eixo manteve-se intacto, reconstruí a partir da previdência que guardou em mim o óleo perfumado e balsâmico que explica com simplicidade que as pessoas não nos decepcionam, nós é que construímos um exagero sobre o que esperamos das pessoas, e conseqüentemente destruímos o que realmente não existia, e construímos uma decepção! “Putz, como ele(a), pôde fazer isso?” . Na realidade deveria ser “Putz, como avaliei mal a estrutura vital dessa pessoa”, e seguir adiante, com tanta naturalidade quanto a ovelha mãe que Saramago põe a cheirar o filhote que levou uma acidental cajadada, e que ao ver que não há vida no filho, recomeça a pastar como há poucos minutos. Não creio que exista espaço em meu ser para desilusões amorosas sejam no quanto à amizade ou no quanto a uma mulher. Não porque eu tenha hoje um coração de aço, de forma alguma, pois aí não seria poeta. Sim porque algo está definido em mim, a ilusão. A ilusão existe, mas apenas em liberdade plena no exercício da arte. Em minha vida ela surge e em menos de um segundo é acorrentada com um tipo de material que faz o titânio parecer manteiga. Tenho quatro filhos novos, não sei até quando serão realmente filhos meus, espero que para Sempre, na ordem: Diogo, Wilken, Willian e Bruno. Eles têm me causado grande esperança e fé, até hoje, dia 20 de 04 de 2008. Espero que a evolução de tudo mantenha sempre a amizade como a construção de poesia a que se refere Heráclito na abertura de “A Parte do Fogo” (M. Blanchot). Esse fato, de esses meninos e alguns outros amigos deles estarem comigo ajudando a construir a “família que escolhemos”, tem me feito imaginar que fiz a opção correta ao não matar em mim a crença na 9ª de Beethoven, Schiller e Jesus Cristo. Não acredito em Deus, não acredito em Jesus Cristo, na forma que as Igrejas (ah, como gostaria de escrever com i minúsculo), principalmente as “New”, -que tem aqueles verdadeiros templos virtuais sobre os quais fico curioso quando infiro sobre o que um Jesus que chutou toda a vendilhagem “no Templo” diria sobre...- contam sobre propósitos... Mas acredito em Deus ou Deuses e em Jesus Cristo. No primeiro como o mais bem guardado segredo da Natureza, e no segundo, com a estranheza de que ele e não qualquer outro que fez aparentemente igual ou mais, como uma Luz para a fraternidade.
É, novamente... Gide, tens razão...”Oh, dínamo maldito, bendito dínamo”... Sabe, que bom, que madrugada abençoada essa em que te encontrei sem a máscara que em ti eu tinha posto... Boa sorte, você merece a vida como nela acredita... :o) .

sábado, 19 de abril de 2008

THE MAN FROM EARTH


Ontem o Ricardo veio me fazer uma preciosa visita. Além de conversarmos sobre meus projetos eternos e eternos projetos, como sempre, falamos sobre o objeto que nos desperta mútua atenção, a Arte. E não só falamos, o Ricardo trouxe um filme para mim, chama-se (felizmente ainda não cometeram uma asneira com a tradução do título, como aponta um agudo resenhista) "The Man From Earth" (de 2007). Eu pensei em resenhar o filme, para abrir minha blogada e fazer um comentário. Mas encontrei no endereço http://cinemanotebook.blogspot.com/2007/12/man-from-earth-2007.html , algo excelente, pronto. E aqui reproduzo um trecho (porém recomendo que cliquem no site, e vejam na íntegra, a resenha): "Uma festa de despedida ao professor John Oldman - e nunca um apelido descreveu tão bem o seu possuidor - muda inexplicavelmente de intento quando este decide contar aos seus amigos que tem... 14 mil anos. Dando ordem a uma larga e extensa discussão científica entre alguns dos mais conceituados professores da Universidade em que leccionava, todo o tipo de dogmas, desde dos religiosos aos científicos, são colocados sobre suspeita, num ambiente céptico e pirrónico que irá provocar algumas crispações. Baseado na última obra de uma dos mais aclamados escritores de ficção científica, Jerome Bixby, "The Man from Earth" é, mais do que um bom filme, uma grande lição sobre a história do nosso planeta". É um filme que requer atenção, e sobre o qual, aos dados a valorizar a linguagem, são oferecidas verdadeiras jóias de reflexão. Entre tantos trechos, selecionei algo: "Voltaire foi o primeiro a sugerir que o universo foi criado por uma explosão gigante", "Goethe, o primeiro a sugerir que a nebulosa espiral era um redemoinho de massas de estrelas". Curioso como a ciência encontra seus caminhos "precisos" através da divagação do artista".

Ainda no filme, lembro que este blog se serve principalmente da atenção de amigos que apreciam as letras de forma ou outra. É isso que dá-me o incentivo para escrever coisas do tipo de agora, e pensar o quanto sou feliz de ter gente que vai até mim para levar um filme, comentar sobre um livro, e vem no meu blog ler o que escrevo, e pensar nas coisas do mundo das letras de um particular modo em alguns particulares minutos. Bem, tenho o filme, e posso passar cópia, autorizada pelo autor (legalmente). O autor do filme liberou mundialmente o download. Bem, fiquem com as possibilidades dadas a partir da visita ricardiana.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

A POESIA, FEITA UNICAMENTE DE FURTOS E FURTIVOS...






Mais esconde que revela. O que revela é habilmente falso para que creias. O óbvio é o enganador. Um, Renato tapeou a todos, maravilhosamente, até hoje. Tapeou até uns trouxas que são pagos (quer dizer, muito mal pagos, decerto) para falar de música, e o classificaram de artífice de música de auto-ajuda (putz, e aí não cabe o caso nem de marketing, ou erro previsto, ou qualquer justificativa, é trouxice mesmo).
Entre os aforismos de Kafka, como não gostar de tantos, deste sujeito que não conseguia ter percepção musical e compôs com um piano do inferno em mão esquerda e piano do Paraíso em mão direita. Como não gostar de coisas como essa aqui: “Todos os erros humanos resultam da impaciência, uma ruptura precoce do
metódico, um aparente bloqueio das coisas aparentes.” (Kafka – Aforismos – 28).
Não gosto da escrita de Deepak Chopra, acho, na verdade sofrível dele ler uma única página, mas reconheço, ele sabe o que é bom, e sobre Kafka escreveu: “Kafka teria dito, ‘o universo não tem nenhuma saída senão a nós se render”. Penso que disto se pode inferir que Kafka, dado a combater a impaciência e anti-métodos, queria dizer que o “passo a passo” é uma chave universal para a vitória.
As nuvens estão escuras e a aglutinação de inércia força-me a suspirar o suspiro da desesperança cravada de esperança...
Quem será está prestes a estar em minha porta? O dinheiro, o amor? Ou a continuidade da miséria. Comisero-me de quem de mim se comisera, mesmo dada a fúria sob a qual meu escudo estressa-se e minha espada verga, tenho seguido, sob Beethoven e sua Nona... Sob a eterna ilusão de uma bandeira chamada “O povo tem poder”... Sou eu aqui, construindo o sangue azul para por em minhas canetas... Amo alguém, não amo, amo, não amo, amo não amo... Que posso dizer sobre isso senão que amo a mim próprio... Kafka, sugarei todos os ossos das orações que deixaste, mesmo que antes de ti estejam Breton, Blanchot, Sartre, o fracassado Sartre, tantos outros e a fúria escrita verde daquele que ousaram tentar construir e ruir nomes...
Devorarei a mim próprio se for necessário, mas minha carruagem, varando as chamas realmente e debochadamente efêmeras dos que desprezam enquanto os fazemos, abrirá as portas bem onde quero, bem sob o nono coro, quase que ao final, e beijarei tua boca ressequida, estarás velha e abandonada... apodrecida pela tua própria lentidão em decifrar a patifaria chamada mundo... E esse beijo selará a abertura da passagem... que passagem? Isso é outra história...

terça-feira, 15 de abril de 2008

RICARDO CORAÇÃO DE LEÃO








Ricardo, fiquei bastante feliz com tua visita e especialmente com teu agudo comentário sobre uma das "blogadas" mais recentes. Tens razão em todos os trechos de teus comentários. Logicamente a poesia ali impressa deixou fora de meu alcance alguns detalhes. Mas, realmente a vinda de um amor em minha vida seria algo ambíguo, se por um lado é possibilidade de alegria, de outro é obstáculo aos meus empreendimentos maiores. Quanto ao dito de Nietzsche, novamente tua agudeza acertou... Amo amar, talvez até sem que seja realmente amar, e sim uma construção fantasiosa no melhor sentido que tem para mim. E você é cuidadoso demais, Richard, para a liberdade e sagacidade que tens. Ora... Fique à vontade, jamais tema me ofender, não conseguiria, mesmo que tentasse. Você é comigo um Deus em meu Paraíso Particular, no sentido de que temos todos nós os nossos paraísos particulares... (também nossos infernos, mas disso não vim para falar) e a conversa nesse nível pode ter a mais furiosa das agressões verbais (que até hoje não houve), que ficará no campo da arte, automaticamente suavizado, e principalmente transformado em possibilidade de construção através da crítica.
O Ricardo é um artista, um músico, mas antes e sobretudo, é um desses seres humanos que tem muito mais "à mão" o sorriso. Prefere a falsidade de um "bom diaaa" à aspereza do "não vi" (mas viu). Não ignora jamais quem realmente o procura com a "Palavra", no sentido de que seja a "Palavra" o legado que torna o homem, Homem e a mulher Mulher. Quando não o conhecia, fui participar de um festival de música de igreja (é isso mesmo, e saibam, a única finalidade -fracassada, se bem que não de todo, pois uma garota entendida em letras musicais, que até hoje não vi, me contaram, impressionou-se com uma das letras- minha em tal evento, foi prestar ajuda com algumas letras e pô-las em destaque). No dia do evento, precisei de alguns favores, e me mostraram o sujeito em questão. Fui até ele, e foi sinceramente prestativo e simpático; dispôs-se, sem restrição alguma, a colaborar fazendo vez em alguns instrumentos que seriam tocados por gente que "furou" com o compromisso. Ali nasceu uma amizade que felizmente nunca teve senão a leveza da naturalidade. Jamais demos peso a nossa amizade, tudo ocorreu sempre sem artificialismo, apenas com respeito, cordialidade, e entre nós jamais houve o abandono de uma das partes. O Ricardo sempre foi um grande incentivador de minha poesia, e de meu lado, me inspirei em sua capacidade inata de abordar as coisas sem preconceito. Apesar de ele mesmo dizer que mudou alguns aspectos no "julgamento artístico", vejo, com satisfação, que na realidade continua aberto à todas as possibilidades e realizações artísticas. Sobretudo continua, na verdade, não julgando a arte, e sim dela participando. Admiro muitas coisas nele, uma delas é a maneira como é discreto com a própria vida, sem ser fechado. Sabe impor as fronteiras de que necessita, sem apelo autoritário. Seu filho tem sorte de ter um pai como o Ricardo, se ele é tão gentil com meninos que o buscam para jogos, para simples bate-papos sobre tudo, como não será com o próprio filho? Às vezes, quando os olho, tenho a sensação de estar olhando para um daqueles filmes gostosos de "sessão da tarde", em que pais e filhos tem uma magia verdadeira em suas relações. Ninguém é perfeito, ainda bem, mas, sinceramente, não gostaria nem mesmo de aventar busca em defeitos desse meu especial amigo. Não mesmo, prefiro ver nele as inúmeras virtudes tão visíveis, mesmo guardadas na humildade e discrição. E se tenho que fazer uma metáfora, digo que é interessante vê-lo a um só tempo, assistindo com intensa alegria um show de Sinatra, uma festa de reggae, uma apresentação de dupla sertaneja... Posso vê-lo, dançando uma música lenta com a "Pri" sobre o piano de Vanessa Carlton, ou caminhando sobre as cordas da guitarra de Keith Richards ou do baixo do "Flea", Michael Balzary. O Ricardo tem o surrealismo próprio dele mesmo, e quem tem em si as propriedades, como no caso dele, tem de minha parte um respeito solene. Para ele, eu: "clap, clap, clap, clap, clap..."

domingo, 13 de abril de 2008

DONTCRYFORMEARGENTINADONCRYFORMEDANTE











Sou um homem muito triste. Não sei se serei assim amanhã. As pessoas em geral, mesmo as um pouco mais sábias, ou mais sábias, e esmagadoramente as tolas, pensam sobre tristeza que seja apenas algo não bom, em mim. E o consolo me enoja, acho-o aviltante para dizer a verdade. E não é o caso, que ser melancólico é coisa ruim; minha tristeza é parte do que de melhor tem o dínamo que alimenta o que de menos pior fiz em minha vida. Sabe, eu sei que decepcionei a todos que amei, e sei que com isso talvez os tenha impedido de me amar. Sou melancólico, saudoso, porque meus sonhos me salvam da loucura através da loucura, e me impedem de ter uma profunda desistência da vida. Choco-me com o quero, quase que o tempo todo, ao invés de entrar em acordo comigo próprio ou acordar-me. Uns poderiam dizer : “putz, que momento ‘emo”, ao que eu aproveitaria para aconselhar que não julguem nem uma nem outra coisa precipitadamente, nem o que seja “emo”, e muito menos a relação minha com isso, que não passa de uma admiração pelo Blink 182. O povo argentino é melancólico, triste, chorão, em grande parte. Choram muito por coisas justificáveis e por bobagens, nisso sou meio argentino. Gosto muito, por exemplo, do Boca Júniors, e ao mesmo tempo não gosto. Amo filmes do Woody Allen: Vocês sabiam que a Argentina é aonde mais se assiste Woody Allen depois de Nova York? E sabiam que é o país que mais psicólogos tem por metro quadrado? Eu não choro pela Argentina, choro por mim muitas vezes, pela minha solidão irremediável, pela incapacidade de ser simples (não no sentido tolo), choro pelos momentos pobres e miseráveis que passei, passo e que vou passar, pela minha ingenuidade; choro principalmente porque gostaria que percebessem que sou apenas eu, mas que tenho direito de ser feito de alma e de sonhos. Cobiço as mulheres mais inteligentes do mundo, desejo mulheres indesejáveis, desejo mulheres proibidas, desejo ser Máximus, desejo ser Shakespeare, Dante, Milton; Diogo Mainardi, desejo fazer amor com uma amiga tão proibida a mim, e desejo beijar a boca de Madeleine Stowe. Desejo me casar com quem não consigo, e a acho a mulher mais maravilhosa do mundo, desejava a amar e não consigo. Desejo conhecer o mundo antes de morrer, e como? Se já me sinto morto há tanto tempo. Tantas mulheres especiais cantam Dont Cry for me Argentina, Madonna, Sara Brightman, Rita Pavone, Sinead O’connor, Elaine Paige, Olívia Newton John... Escolhi Sara Brightman, não que seja a melhor interpretação. Vocês podem encontrar várias outras que elegerão. Mas toda vez que ouço Sara Brightman cantar “Time to Say Boodbye”
aqui: http://www.youtube.com/watch?v=BLHq7rgHOLk&feature=related ),
sinto uma gostosa vontade de chorar porque entro em comunhão com minhas lutas todas e minha auto-piedade. Então, eis aí a eleita:
http://www.youtube.com/watch?v=vn4UyQzHiQ8 .
Oh Argentina, minha Argentina... Como me entendes... Como te endendo...

sábado, 12 de abril de 2008

COMO TANTOS SORTUDOS, JÁ NAMOREI NO CINEMA








FOTOS: Ordem descendente; eu, Patrick Swayze e Jennifer Grey, capa de "LP" de Dirty Dancing -o filme, foto aleatória do Google "namoro na cozinha" e cena de "Meu Primeiro Amor" (My Girl).
Tiro fotos com minha webcam para o exercício de uma espécie de vaidade que emprestada da vaidade comum das pessoas em geral, tornou-se muito particular, afinal. Me olho e vejo dois contrários, um que me satisfaz outro que não, e isso é óbvio. Como também é óbvio que um dia namorei como todos os jovens normais o fazem. Hoje, através do Orkut, mandei uma mensagem de admiração pelo namoro de um casal de amigos. A menina é maravilhosa e o garoto também. A menina estuda comigo, é de minha turma de Letras. Acho o namoro deles espetacular, e embora o destino só a eles e Deus pertença, dou minha particular oração a que sejam muito felizes, sempre. Pois, é maravilhoso ver como se entregam ao amor, como naturalmente se ajustam perante a natureza e o complexo e exótico diretor dos homens, o amor. Mandei a eles um clip de Dirty Dancing, a música é Hungry Yes, que pode ser conferida neste endereço do youtube: http://www.youtube.com/watch?v=8qiFzgxSObM&feature=related . Mas, como o tempo é implacável, cruel, e só podemos, principalmente se dentro desse "nós" há o envelhecimento, que é meu caso (sou de 1963). Tanto mudou de lá para cá... Mas, não é tão cruel a natureza, porque podemos na espécie de especiais dráculas, "sugar" felicidade alheia, de uma maneira positiva, que só faz bem às pessoas. Ou seja, sentir felicidade com a felicidade alheia. Sinto-me muito feliz de ver namoros felizes, e gosto de não pensar no futuro quanto a todos que o fazem... Gosto de pensar que há coisas que ficam em eterna suspensão... Como alguns de meus namoros... Que fiquem eternamente no tempo os beijos doces e as confidências tão "únicas" e a cumplicidade tão verdadeira. Em alguns casos, vi muitos, felizmente, o namoro leva a um casamento feliz, filhos felizes. E torço que haja cada vez mais, casos assim. Sei que a realidade é cruel na maioria das vezes, e sei que é muito difícil a vida de um casal, às vezes. Mas sei que o amor sempre tem chances, se queremos que tenha. Não vou divulgar o nome do casal, embora, com minha natureza aberta eu deseje muito isso. Tenho que respeitá-los e não faria isso sem a autorização deles, mesmo sabendo que eles tem por mim muito carinho. Mas posso dizer que sinto orgulho de ser, de certa forma, próximo a eles e deles extrair bons momentos, como quando olho um belo quadro, ou leio uma particular e linda poesia... afinal, os dois são poesia.

Minha namorada, a poesia, e seu corpo feito de acordes, tintas e principalmente de tinta e papel, sorri ali da varanda para mim... Ela é invisível e visível... Dou parabéns a todos que a enxergam sempre ao meu lado, fiel e infiel, namorando comigo e com milhares de outros... Mas, hoje, ao menos, ela parou para me namorar o coração, porque nele viu que há mundos particulares, em que brilham jóias inestimáveis, como a história real do namoro que há pouco relatei em pequena parte, e imagens e sons de um momento em que assisti um filme em que um rapaz pobre casa com uma filha de um médico de Harvard... Às vezes não há tanta distância entre "era uma vez..." e "existe um casal..." Dante Sempiterno.

sábado, 5 de abril de 2008

EU SEI, É DESCONEXO, MAS A ORDEM É TÃO MISERAVELMENTE FILHA DA ORDEM DO CAOS.

















A primeira foto tirei de um blog bem montado. Infelizmente não salvei o endereço. A segunda figura, segundo informa o Google, é o quadro "Duel", de Goya. O homem é André Gide, um grande poeta e pensador da arte, francês. A outra figura representa o Caos, fazendo o nascimento de mulher e homem. A Liberdade do homem está entre mulher e homem... E seu norte depende dessa tênue liberdade, e sua liberdade do norte... Pólo Mulher, Pólo Norte, Pólo Homem... Oh, homem, oh mulher, ó norte...

Tenho uma mórbida atração por assistir o fim de coisas que são previsivelmente de fim melancólico a favor do mocinho, aquele que deve ser o vitorioso, segundo meus critérios. E uma das lascas do meu lado negro da força é que não tenho pena de imbecis que se debatem no final de um acerto de contas. E sou cretino o suficiente para lhes sorrir e bater no ombro. Patifes merecem meu lado sombrio, e o têm, afinal, em doses maciças. A prisão me ensinou a lidar com janotas, fiz doutorado em perceber patifarias. Lá, ou se aprende isso, ou morre; preferi aprender. Serei verdadeiro com meia dúzia e com a Literatura, essa é a principal regra do jogo, o resto... É o resto!
Não cheguei a – como Thanous – me apaixonar pela morte... Mas conheci dela, bem de perto, os lábios... E todos que já estiveram mais de uma vez bem próximos da morte –digo, realmente, nada de bravatas- sabem o que digo. Lábios, eu disse, porque há uma estranha atração entre o homem e a morte, como entre o homem e a dor, e entre o homem e a tirania... Saber do grande prazer que é escapar desses três elementos tenta o homem, e a simples tentação já lhe causa prazer.
E viver com mais verdade, com qualidade de alma, de percepção, implica se livrar do verbo agradar... E das palavras “politicamente” e “correto". No momento da escrita, agem forças... Que forças, não sei. Até mesmo o poderosíssimo e ateu Saramago diz: "algo me sopra a escrita". Então, você entra numa espécie de comunhão, e não pode aceitar nem evitar a tentação de escrever para uma platéia... Isso acontece, mas num seriíssimo faz de conta... Como se você fosse uma leoa à espreita, mas se fazendo de que nada quer... então vai dando o bote nas presas, sem esquecer o que dizem dois sujeitos, um inglês e um francês: Wilde: "nunca despreze uma primeira opinião"; Gide: "com bons sentimentos se faz péssima poesia e literatura". Como eu já disse, com franqueza, há potencial. Isso é o mais importante, assim como não ter medo de sair na chuva se "ouvir" seu convite; gripe-se e sinta o prazer da cura por ti própria... Por aqueles que gostam de ler, de escrever, pois de sobra há no mundo o contrário disto... E por isso o mundo está doente, por recusar a própria herança, a capacidade de melhor desnudar tudo que pode.
Estou cansado de muita coisa, então, a arte é meu regaço...putz, será que essa palavra calhou mesmo? Creio que sim, mesmo sendo ambígua, afinal todos os regaços, de uma forma ou outra são bons. Mas o que eu quis dizer é colo, a arte me dá sempre colo. Bem, sendo assim é que peço que compreendam que não sou sempre de bom senso quando escrevo. Toda vez que tentam colocar bom senso na arte, ela mostra que dá as cartas desde o princípio e que o princípio foi, é e será Caos, oh... Meus princípios... Bem,

quinta-feira, 3 de abril de 2008

NASCIDO PARA VIVER A MORTE






A sede de construir, tendo nascido tão pequeno e chegando ao início da velhice... Preciso escrever, para mim, é como respirar,... Se não escrevo, irremediavelmente , morro...
Escritores... homens comuns, escritores e homens comuns... Uns os outros senão não escritores... Mas parece tão visível às vezes que viemos para observar e registrar... Talvez nem mesmo para nós próprios... Escritores, homens tão comuns e não... Liberdade...
Não tenho ambições materiais. Sei que o futuro, espero que não distante, me dará o suficiente para uma vida digna. Mas, quanto à arte, sou ambicioso, quase tanto quanto Salvador Dali. Frasista afiado, disse certa vez: "Aos 8 anos eu queria ser cozinheiro, aos 12, Napoleão, e de lá para cá minha ambição vem crescendo". Sim, quero entrar fortemente em contato com a arte em no máximo 10 anos. Quero escrever meu nome a ferro, fogo, lava, esperma, sangue. Onde eu escrever meu nome (fora da escrita cotidiana ou crítica, ou linguagem de crônica ou artigo) com poesia, nas linhas nascerão flores ardendo em música, fogo, perfume, e amor e dor... Onde eu escrever poesia, os olhos passarão em êxtase, entenderão se ali pararem o tempo suficiente, aquilo que antes não percebiam... É, pena que isso seja tão difícil, felizmente, que isso não seja impossível, dez ou quinze anos... Esperei quase trinta, não custa esperar mais quinze... enquanto isso... Vou escrevendo.
Esse negócio de "sorte de hoje" no Orkut, poderia ser excluído para economia de espaço e sistema. É uma idiotice. Para que serve? Ontem mesmo, por exercício de curiosidade li o meu, estava escrito "terá hoje uma grande surpresa". O que é grande para isso? O que é surpresa? E, sinceramente, não tive nem surpresa pequena, que dirá grande! E, pior, dizia que seria agradável... rs. Queria ser menos pessimista com esses trecos, a roubalheira sobre receituários de velhacaria são em volume muito grande. Sorte de hoje: "Você vai acertar na mega-sena". Bem, se isso acontecer, retiro tudo o que eu disse, ainda mais porque que não jogo na mega-sena.

terça-feira, 1 de abril de 2008

TRISTE BBB... 1984, 1984, 1984... OH 1984... QUE FILHO GERASTE...





Gosto de pensar que uma distinção que tenho dos animais comuns, é o de poder mudar de opinião. Afinal, leões, macacos, jabutis, baleias e outros, só podem mudar de direção, ou verem suas direções mudadas. Sendo assim, com esse "green card", que pode me inocentar uma opinião, no futuro, é que posso talvez dizer que a única verdadeira contribuição do BBB, foi mostrar a desimportância e má qualidade dos atores da maioria de nossas novelas. Eu poderia simplesmente dizer "o BBB é uma bosta", mas não é bem assim, deve prestar para alguma coisa, sei lá... para o que, por exemplo... hmmm, gerar opiniões inúteis como a minha? ... Que mais... para ajudar a difundir vírus de Orkut? hmmm, que mais, disfarçar a falta de assuntos intelectivos... ? "Vencer a si próprio", dizia Sartre, é o maior desafio. Original e encaixada em divagações mais complexas em Sartre, porém, essa frase é comum na boca e pena oportunista da gentalha que escreve auto-ajuda. Digo "gentalha", não em tom fortemente ofensivo. Para mim, gentalha é como a "gentalha" do Chavez, gente boa, até, mas que não me causa senão risos e uma ou outra entortadinha "significativa" da boca, por mais temática que seja a escrita. E Chaves e os seus são muito bons no que fazem, dão de lavada na turma de escrita auto-ajuda, principalmente nos 'pops'. Sabemos exatamente o que dirão "Isso, isso, isso". Mas, na pena do grande Sartre, fracassado e vitorioso, visível e esquivo, isso é o cerne do propósito divino... Vencer a si próprio... Jesus, com outras palavras também disse tal coisa... mas, entre Jesus e Sartre, fico com Jesus na intimidade, e com Sartre no aberto... Esse negócio de religião traz, em dias de ignorância moderna, mais besteira e ódio que amor... "Vencer a si próprio", vencer as fissuras e abismos entre as palavras e seus significados... Isso, isso, isso... Às vezes a oeste, às vezes a leste. Às vezes ao sul, às vezes ao norte... Não te esqueça, oh Jorge, oh Dante, que assim são as coisas... e que os ventos não te distinguem e muito menos as tempestades do destino. Abre sempre a mão e leia tu mesmo o teu destino, sem enganar-te pelas linhas tortas ou pior, pelas linhas direitas... Dante Sempiterno, queres ter o dom da poesia, continue sangrando a solidão, queres a glória enganosa da Literatura? Não persiga o rabo e cuida de não temer o tempo... Celebre, como recomendou Rilke, enquanto isso, amarra-te contra o mais maldito dos espelhos, a verdade!!! E choras, e celebres... E erres, e não tema o erro e a bobice, e alcançarás o cume... Acreditou?... Então continue sempiterno, Dante Sempiterno.