CAMPO DOS GUAICURUS

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sexta-feira, 28 de março de 2008

A RUIVA! AQUELA RUIVA!

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Eu ficava olhando um pequeno bosque que me assombrava, e eu sentia enorme prazer em ver os fantasmas que eu mesmo criava. Sentia o perfume dos pinheiros delgados que eram em maioria... Via os cabelos ruivos, os vultos de uma mulher que andava sozinha numa grama sem espinhos, ao tempo que brincava de dar mãos aos abraços imaginários das árvores... Uma ruiva... e a música era essa debaixo, do Duran Duran... O clipe e a letra da música não tem muito a ver com minhas lembranças, minha poesia... mas, tem uma ligação acima do entendimento primário... Aqui o clip: (http://www.youtube.com/watch?v=U_7DnHbcgn8).



Na comunicação via internet, um fenômeno destacável, e talvez não tão difícil de ser respondido, é o essstiiiicaaaamennntooo das voooooogaiiiiiiiiiisssssss. Tooooooo aeeeeeeee, saaaaaaaaaabeeeeee cooooomoo ééééé. Paaaaaaassseiiiiiiiii, aquiiiiiiiiiiii. Os gagos surgem, muitos, de carências ou traumas psicológicos... A carência, como aponta Mary Shelley, é responsável por muitos dos desastres coletivos de nossa existência. E, creio, iiiiiiiissoooooooo, veio para ficar, tanto quanto o "com certeza", na linguagem falada.



"Foro íntimo"... Quando comecei a tomar consciência das possibilidades dessa expressão, durante o constante garimpo que é uma das naturezas da Literatura, GOSTEI. Embora haja vários conceitos para ela, prefiro o conceito básico , que é uma espécie de pátio, onde se dão debates. Para as questões de Deus, ou ideológicas, acho que deve haver uma vasta amplitude no "Foro Íntimo"... Debatermos em nós mesmos... Até porque o debate nunca termina, uns pregam a diversidade, o todo, outros um cânone. Um dia você tem certezas das coisas, noutro essa certeza foi substituída, e vai, e vai, e vai... Temos que constantemente refrigerar tudo que se refere ao espírito, e talvez não devamos ter receio algum de ir em busca de novos saberes, e de preferência vasculhar o melhor possível os "mistérios", sem carregarmos demais o crédito alheio antes de estarmos bem aparelhados de conceitos e discernimentos... No entanto, sempre, no final das contas, o princípio é o silêncio e a observação, sem perder o respeito pelos envolvidos cada um com suas “fés...” Não precisamos escolher por eles, escolhemos por nós... Mas escolhemos antes de tudo, a amizade, coisa cada vez mais rara...



Sim, às vezes, esse negócio de arte, de tentar enxergar a realidade por detrás da massiva hipocrisia, por detrás de todas as aparentes verdades, de procurar investigar o que há por detrás de uma percepção que não aceita a ordem comum das coisas, me afastam do essencial... E, felizmente, a melancolia me leva, através de certas músicas, a momentos que servem de estacas e amarras para que eu não me esqueça de quem realmente sou...




Que estação, que tempo? Tempo do mar medíocre de quatro anos... Yes Sor, Estação do frio... gostoso vento que faz violento amor nos lábios que ressentidos guardarão essa violência pelo carinho memorial da língua de gato... Oh, vermelhidão e ruivez, sardas na tez... Poder na sofreguidão... O cheiro do cheiro de amor, vermelha tua pequena calcinha que atirei aos cantos... No alto dos pinheiros os cantos... O apartamento de tua complacente mãe... o colchão profano, teus gemidos, o próprio ar conspira arfando... possuir, olhar os pêlos ruivos sob teu sorriso indagativo... preciso... Essas lembranças... a cada ano e o pontilhamento impreciso dos pequenos fragmentos memoriais... Oh, ruiva, ruiva, com cabelos longos, branquez, sardez, ruivez, sorriso dos olhos cinzentos, inquisitivos éramos, mas tão inocentes em nossas posses poderosamente maliciosas... horas ociosas... não voltais... somente biografemas... deliciosas intermitências que ao comum seriam nodosas, para o miolo de nosso estoicismo, a fartura restrita do cinismo... Doce ruiva, tão comum vulgar dizer, que tanto poder resguarda no mais vilipendiado dos deuses, o tempo, voltais, oh, voltais, ruiva, voltais... Mas não aqui, os tempos desdobram-se e a eternidade é uma desconfortável evidência... Voltais, com o poder de teus lábios falsamente finos, as sardas enganosamente organizadas, o cheiro vaginal enganosamente fiel... oh, voltais... ele, conformais, oh, voltais, ruiva, voltais... dos tempos de praia imemoriais, tua fardinha colegial novamente por sobre a calcinha e também essa tirais... senso sensual, desconexão... Assim, no assombro sempre me responderá o voltais... a doçura do amor eu sei, mas tão poderosos apelos púbios e perfumado querer aflorais... Oh, ruiva, da praia branca, do colégio militar, dos passos longos, do basquete adolescente, do nosso namoro tão profano aos olhos mortais... oh... Si... voltais...

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