CAMPO DOS GUAICURUS

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sexta-feira, 21 de março de 2008

LINGUAGEM DE BLOG - A MORTE DO MEU PENDRIVE







Sinceramente, não faço a mínima idéia de como se escreve Pen drive. Não sei escrever Pen-drive, talvez se escreva assim mesmo. Se fosse por simpatia, escolheria Pendrive; Isidore Ducasse me influencia nisso de gostar das coisas em blocos. Mas, o nome dele não vale mais, aliás, nem seu corpo vale mais, afinal, ele está morto.

Me pergunto, quem é o culpado da morte do meu pendrive? O cara que ligou os fios errados do receptor na placa (seja lá que diabos seja isso tudo)? Eu? Não, eu não, de jeito algum; fiz algo tão básico, colocar o pingolin do Pen na pingolinha da aparelha (isso mesmo, fêmea, cheia de buracos). E então: "pift", foi para os quiabos (E até hoje não sei o que há detrás do sentido desta frase, mas sei que boa coisa não é). A propósito, só quem realmente sabe cozinhar bem, é capaz de preparar quiabos a contento geral.

No mesmo dia que morreu meu Pen Drive, isso, o meu amigo Pen, vi que uma santa chorou no México. Não sei se as santas choram mais nos países pobres, parece que é assim, e isso me parece lógico. Não sou muito forte de fé, a maioria de minha fé comum é feita de medo, e a fé genuína que tenho, todos se recusam a entender, e acho que estão certos nisso, é confuso demais.

Depois que morreu meu amigo Pen, eu o segurava na mão, queimado, e pensava: "Putz, tua alma era feita toda de minhas escolhas, toda a vida que em ti havia, as falas, as imagens, a música, a arte toda, eram escolhas minhas... Como pude ser tão cruel, deletei de ti tudo o que a mim não mais era útil, sem me questionar que você poderia estar afeiçoado à tranqueira toda". E o remorso foi tanto que quase guardei o corpo de meu amigo, que não criaria os vermes, parentes daquele primeiro que comeu Brás Cubas. Mas, me deu medo. E à noite? Uma noite abafada, quente, olharia na minha mesa esculhambada e assustaria com um brilho de pequenino olho de luz... Ao acalmar pensando "esqueci algum treco ligado", poderia vir novo medo ao ver que o Pen era que emitia brilho, o Pen morto... Com todas as pornografias que gravei, de volta nele, com todos os textos miseráveis e os rascunhos de trabalhos que para nada mais serviriam... As fotos de parentes que nunca verificaram a arte de Gisele e que posaram de braços cruzados e olhar desconfiado, e pior, minhas cópias de blues, logo de blues que dizem ter algo com o pé-preto...."""Cruzes"""". Tantas coisas pensei, mas o pior de tudo foi conferir o quanto sou mísero, despojei meu amigo Pen antes de enterrá-lo na mais comum das valas de traças literárias, o cesto de lixo... Quando o joguei, me senti o coveiro de Mozart. Mas, pior para mim e meus remorsos, guardei a tampinha dele com uma mísera justificativa: "bom, se eu perder a tampinha do novo, ponho essa". É estou de pendrive novo, "rei morto, rei posto"... Não sei se o chamarei Pen 2, ou de Erasmo, em homenagem ao escritor da loucura... Ou Sartre, já pensou? Um pen drive com o nome de Sartre... Putz... Ele ainda está virgem... Mas acho que logo, logo, meto uma foto da Pamela Anderson ou Tiazinha nele, ou música do Renato ou Bob... Mas, afinal, foi melhor falar de meu finado amigo Pen que de santas... Nunca me dei bem com elas... Minha ex é uma santa... E chorou tantas vezes... Mas, sei lá, tenho dificuldades em acreditar em choros... Chego a chorar quando penso nisso, da pouca fé que tenho em choros... E da máscara de medo que reveste todas as chances de eu ter uma fé maior que esta que cabe na dízima parte de um drive... Dízima? Dízimo? hmmm, eita fé danada... Tô fora, cadê meu pendrive?









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