CAMPO DOS GUAICURUS

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quarta-feira, 19 de março de 2008

INSEGURANÇA


Harold Bloom fala muitas coisas fortes. Ele é forte demais, considerando que o mastro principal da navegação chamada vida, principal navegação e por si própria o motivo de si (baseado em Montaigne). Para Bloom, apesar de Freud ter apenas prosificado o que escreveu Shakespeare, é o psicanalista precursor, um gênio da escrita. Em parte, entendo algumas coisas que Bloom diz. Infelizmente (pelo fato de não ser tão forte em conteúdo quanto ele) sou obrigado a concordar com muito do que diz. Mas, felizmente, muito do que com ele concordo, faz parte de constatações próprias, nessa intimidade da leitura e empirismo (constatação por experiência própria). Lembro-me que lia de tudo, quando menino, e que tirava lições do que conseguia naquelas minhas leituras paupérrimas. Lembro-me de algumas coisas, principalmente, entre as que lembro, de coisas tiradas de bolsilivros. Uns romances "apressados" (devido ao formato, e público), a maioria ambientados no western estadunidensse. A fase mais gostosa desses livrinhos, foi ter encontrado "Gysele, a espiã nua" e outros deleites tão preciosos à adolescência. Li, certa vez, uma historieta, num bolsilivro, que centrava uma acertante de loteria. Ficara rica, e trabalhava num escritório miserável quanto ao ambiente. Ela, segura pela fortuna que adquirira, passou a tomar atitudes diferentes, que antes não tomava, pois colocaria em risco a vaga no trabalho. Lentamente, revolucionou sua vida a partir de atitudes como defender alguns que sofriam injustiças; peitar os chefes em razão de buscar melhorias para todos. No final, ela reformou a vida e conquistou o gerente bonitão, sem ter tocado num só centavo de sua fortuna secreta. Detalhe, foi promovida. Lógico que a história hoje seria muito bobinha. Mas, certamente passou sua tese, serviu à minha reflexão, e quem sabe tenha interferido nas minhas ações. Talvez, uma parte do que diz Harold Bloom seja querendo conceder o benefício de que a partir da leitura de romances podemos fazer uma releitura de nossas próprias vidas e tomar novas atitudes, reformando-as. E talvez, por isso, ele recomende a prudência da boa escolha sobre os livros. A mesma prudência que temos sobre quem podemos ouvir e que ouvir traga-nos uma melhoria nas atitudes, e na vida. Nos traga a evolução mental necessária à evolução pragmática.

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