CAMPO DOS GUAICURUS

CAMPO DOS GUAICURUS

sábado, 8 de março de 2008

EGO, EGOS, EEEGOS, EGOOS, E-GOS, E.G.O, TANTOS...




Seja qual o brilho que produzas, saibas, estarás incomodando alguém. Isso é fato, não se trata de uma questão pedinte de provas. Teu cabelo está bonito? Alguém vai se incomodar... Comprou um novo sapato, uma nova sandália? Alguém vai se incomodar. Está de namorado novo, ou tem trocado muitos sorrisos e beijos públicos, muita, mas muita gente, mesmo, vai se incomodar.

É compreensível que muitas vezes quando alguém se incomoda conosco, é um incômodo justo. Sim, todos, em parcelas maiores ou menores, costumamos mexer no “botão de volume” do brilho que temos, às vezes damos uma “bombada” no que nos é peculiarmente bom.

Esse preâmbulo ocorreu para anunciar que sei perfeitamente que incomodo muita gente com minha participação em sala de aula, perturbo professores e colegas (e até super-estagiários) com minhas proposições, perguntas, questionamentos. Mas, onde é que estou? Pergunto? Num lugar onde se trabalham as questões de forma participativa e questionadora? Já anunciei humildemente, várias vezes, com realidade, que não pergunto, proponho ou coloco comentário, se não é realmente importante para mim a “coisa”. E tenho plena certeza que os que mais incomodo estão entre os que também me incomodam (principalmente com a inércia e covardia, e mais principalmente ainda porque nem sabem o que estão fazendo no Curso).

Me incomoda a falsidade, mesmo sabendo que sou falso também. Só que, sinceramente, minha falsidade é do tipo comum, é cobra sem presa inoculadora, sou falso na questão de não optar por cara feia e silêncio. Isso é de meu ser, e não pretendo mudar, vou continuar “falso”. A falsidade que me incomoda é aquela que tem em si a articulação. É aquela praticada, executada, é o movimento vil. Ninguém é obrigado a “gostar” de ninguém, mas a tolice deveria ser banida de um meio que pede a aceitação por excelência.

Sartre diz que somos nosso pior inimigo, e Sartre, principalmente por ser Sartre, tem razão nisto. Temos que enxergar nosso nariz, que está mais próximo que pensamos. Eu mentiria se dissesse que não fico magoado de ver confundida com empáfia a expressão que reflete minha busca.

Quando ganhei o direito a uma cadeira em Letras, não tinha ilusões quanto ao tipo de ambiente que encontraria. Eu imaginava mais ou menos o que encontrei, com algumas exceções não tão fugidias às previsões. Mesmo assim, me chateio com a mediocridade de um lado e de outro, me chateio com a hipocrisia, com o “faz de conta que estamos fazendo algo, faz de conta que a participação é boa e abençoada, faz de conta que estamos aqui para discutir e aprender”.

Felizmente, a maioria importante, tem uma atitude ou neutra ou favorável à permissão plena em participação. Felizmente, há em maioria, professores que permitem a participação e entendem que uma casa de ensino é uma casa de erros, é uma casa de iniciativa constante, de debate constante. Uma casa de letras, é uma casa de letras, fracas, médias ou fortes, e o forte começa sempre no fraco, e quem ainda não viu isso, desabençoa o próprio cérebro.

Continuarei participando, perguntando, mesmo que com meu irritante tom vacilante e com outros aspectos que estou corrigindo muito lentamente, e que muitos jamais serão corrigidos, porque, graças a Deus, sou imperfeito. Estou sempre aberto às discussões e fechado à cretinice. E se alguém sentir que estou sendo cretino, venha, eu o tratarei bem e utilizarei honestamente a informação.

Sempre li, amo leitura, amo a escrita, amo letras, as letras estão em meu sangue. Por fortuna, conheço alguma coisa um pouco mais, e sou capaz de escrever contos, romances, poesia, e seja lá o que eu quiser. Mas estou em eterno aprendizado, é óbvio... Tenho que ser humilde, mas não sou obrigado a esconder os únicos dotes que realmente agradeço a meu Deus e a mim próprio. E sei perfeitamente que não tenho dotes que vejo em tantos colegas, e que positivamente invejo... Mas, afinal, teremos todos que nos engolir... rsss

Um comentário:

Gutemberg disse...

Mano querido!!
Acabo de chegar em casa, quebradaço depois de inúmeras horas de viagem, mas acabei dando uma olhadinha no teu blog.
E aproveito para te parabenizar pela iniciativa, pela coragem de dizer o que pensa, sobretudo pela tua inteligência representada em textos sublimes.
Beijo,

Guto.