CAMPO DOS GUAICURUS

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terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

A GLÓRIA É EFÊMERA, MAS É A GLÓRIA.







Sempre que assisto Drácula de Bram Stocker, lembro-me do dia que marcou meu novo destino. Numa prisão, numa manhã que disputava ainda margem com a madrugada, tive uma experiência que mudaria para sempre a forma de eu conduzir minha vida. Comecei a carregar uma Cruz, um castigo que por outro lado é minha glória, diferentemente do empedernido Conde, que não se vergou às possibilidades do perdão.
Tenho um coração, uma forma de ver, que dificilmente permitirá que eu estoure a existência de Jorge, e mesmo de Dante, e entregue o que vi e sei para o mundo... “Vi coisas que vocês jamais acreditariam...” De lá, daquele dia sem igual em toda a minha vida, tive umas poucas escapadas da realidade que me fustiga os olhos e todos os outros sentidos, com ruídos que jamais me dão paz na alma...
Fazer-me de coitado é coisa que me enoja, e não o sou, pelo contrário, me considero iluminado... Mas, a paga é quase em sangue... E isso não é fácil... Sim, “ser escolhido” traz um amálgama paradisíaco/infernal... Nem mesmo hoje me é possível explicar tudo que ocorreu naqueles segundos únicos, num aprisionamento real que durou dois anos e meio, sem desconfiar até de mim próprio...
Prisioneiro de mim mesmo, de pensamentos que são a própria grade, saí em mágicas e raras vezes para o paraíso, onde esquecido da cruz e luz que carrego, vivi momentos em que fui muito feliz, imperador de mim mesmo... Nesse final de semana que passou, aconteceu...
A mutabilidade da natureza de meus atos e de minha história, certamente não me darão tão cedo dias iguais... Por isso digo, estão todas as horas fugidias guardadas na arca que levo aos lombos; e luto, à suores e sangue, para me conduzir até meu novo paraíso. Não sou mais de ninguém por inteiro, mas por algum certo tempo, alguns minutos ou horas, posso me sentir de alguém... E isso é que talvez não risque minha existência da realidade, é isso talvez que faz em mim, felizmente, o “Sou”.
Obrigado,” entrelace de momentos”, obrigado “sorridente e estranha natureza”, pelo final de semana maravilhoso que tive...

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