CAMPO DOS GUAICURUS

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terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

PARA A ANGÚSTIA, O BÁLSAMO DO SILÊNCIO.


Estou totalmente sem inspiração. Mesmo tendo há pouco lido Moliere. Na verdade não ele, propriamente, mas dizeres sobre uma peça onde se dedica a zombar dos preciosismos lingüísticos. Zomba da linguagem empolada. Na peça duas primas são enganadas por falsos nobres que na verdade são homens comuns e até um tanto rudes. Hoje não é um dia fácil, de bom, o fato de que estamos a dois dias das férias. Mas, férias sem dinheiro... argh... De bom também o fato de os projetos literários estarem andando, lentamente, que seja... Mas, assim caminha a humanidade literária, e mais assim ainda, a humanidade literária brasileira...

Mas, disse o Chopra (a mim, detestável como escritor, mas, bom em escolhas) que Kakfa dizia que o universo não tem saída nenhuma senão não se render a nós. Que basta mesmo ficarmos sentados, inertes a não ser olhar uma mesa, e tudo se curvará a nós... Interessante... O trabalho do silêncio... Então, sem inspiração, ouço o silêncio, sua voz absurdamente ruidosa...Claro, Deepak, o silêncio fala. Isso é óbvio, e mais óbvio ainda a quem lida com letras acima do que seja um leitor comum.


Diogo Mainardi, em uma de suas colunas da Veja, diz que o último projeto de Federico Fellini antes de sua morte, era sobre Berllusconi, o ex Primeiro Ministro italiano. Logicamente, sabendo o que sabemos de Fellini e o que sabemos de Berlusconi, não é difícil de deduzir que a obra não seria elogiosa ao objeto. Mas o que mais me chamou a atenção foi algo que Diogo Mainardi disse de si e não dos dois titãs da mídia, política e arte. Disse que sabia exatamente o que Berllusconi pensava (olha, a tempo, não vou lá conferir se é com 1 ou 2 eles o nome do ex Primeiro Ministro, na dúvida, sendo estrangeiro vai com 2) e isso me pareceu familiar. Quem lê "O Elogio da Loucura" de Erasmo de Roterdã e o vê socando o sarrafo em gente (da Igreja) que no geral o acolhia, e principalmente observa o estilo em que ele escreveu, ou então Voltaire (que salto), percebe o que Diogo Mainardi quer dizer. Não é preciso nem ir tão longe... Não percebemos certas personalidades antes mesmo que abram a boca? Imagine se somos "iniciados" com a bruxaria das letras? Freud aprendeu com quem? Segundo Bloom, mesmo não assumindo, apenas prosificou o que Shakespeare escreveu. Sendo assim, o silêncio de hoje mexeu com a pior das minhas naturezas. No entanto, essa pior das naturezas permanecerá em correntes, em cadeias, sob controle... Me lembrei de outros silêncios, os silêncios que certas pessoas que se fazem de úteis dão, a perguntas que a nós importam... O que aconteceu é que li o silêncio de ontem e me enojei. De minha eterna crença em patifes que se fazem de heróis, de diabos revestidos de anjos. Desse tipo ao qual tão especificamente e genialmente tratou Montaigne, ao ponto de ser quase roubado... por gente grande... que não precisava...

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