CAMPO DOS GUAICURUS

CAMPO DOS GUAICURUS

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

RITMO PATRIARCAL 0023172.


O poeta é alvo de outros poetas, está "nos outros", alvejando a si próprio ao fissurar o nicho e apontar a cabeça,

O POETA...

O POETA...

O POETA...

O POETA...

AINDA NÃO CRIOU NADA?

O POETA...

O POETA...

O POETA...

Perdoe-me, muitas vezes o seu nome para fugir da maldição do conceito e se tornar apenas

PEITO...

O poeta é alvo da crítica que ele mesmo cria, é uma esponja de banana, e não sabe, e mete,

Bronca!

Balas na multidão muda e cabisbaixa, e risonha, e tristonha, e medonha!

Navalhas-palavras...

Ódio.

Mete, mete tudo!

Poetas grandes e pequenos? Regionais e universais, só poetas... Nada mais! Ofertas, ofertas, quem quer poetas?...

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

A ARTE DE SE RELACIONAR






SOREN KIERKEGAARD, escreveu um livrinho sobre nosso desespero. Muitos foram os homens inteligentes e argutos como Soren que se dedicaram a tratar da angústia que nos assola, quanto às interrogações vitais. Sua atitude de deixar de lado a doce Regina, que amava profundamente, pra desenlaçar os milhares de nós do amálgama que, através de pregações religiosas paternas, lhe caiu na cara da existência, logo ao início da formação, deixa até mesmo leitores atuais de sua biografia, estupefatos. Mas não deveria ser assim, penso... Deveríamos ter naturalmente que as relações humanas, baseadas na impossível inexistência de Deus, só poderiam ser como são, extremamente conturbadas, devido à busca de equilíbrio entre a natureza primeva e a moral, civilizada... Pobre Soren, morreu com 42 anos, atormentado por tudo que perdeu, seus livros, tão importantes que influenciaram gente como Sartre e o nascimento do existencialismo, levaram 12o anos para receber luz relevante... Ontem me lembrei de um dia que uma garota insinuou que eu devia ajudá-la falando em seu favor, com alguém que conheço... E lembrei que fiz isso, fiz o que pude, através do que entendi... E os resultados, não sendo para ela todos frutos que esperava, mostrou do que é feita... Santo Sören, ninguém quer ser a não ser o mesmo... "...sempre mais do mesmo..." (frase de R. Russo, mas com sentido diferente daquele que genialmente empregou). E quando viramos as costas, vem La Fontaine, o velho, o menino, e o burro...

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

DE NOSSOS CÉUS, DE NOSSOS INFERNOS, DE ALGUM LUGAR, AS LÁGRIMAS SEMPRE CAEM... (D. S.).

A dor da saudade não cinge a si própria, nao se circunda... é como uma revoada de navalhas em asas... Pai, lembro-me de todos os momentos em que você era sorrisos, dos momentos em que observava agudamente os fatos complexos da estranha humanidade. Lembro-me de tua pregação anti-violência e que não deixava que confundissem isso com uma omissão perante a necessidade de justiça. Sobre esta terra que testemunhou uma violenta despedida de teu corpo, sei que a palavra mais importante do dicionário que colocaste em prática foi "justiça". Não conheço ainda todas as boas heranças que deixaste em mim, pai... Mas não tenho dúvida nenhuma que minha doçura te deve, não tenho dúvida nenhuma que a retidão que consertou meus erros e um direcionamento infeliz, vieram de ti... Pai... que saudade de você... Minhas lágrimas quentes pedem ao universo, pai, quando me chegar a hora, permita Mistério dos Céus, que eu te reveja...
video

CLIP RECOMENDADO PELO MEU AMIGO RONE, EM CUJA ALMA SENSÍVEL HÁ MUITO DE QUALIDADE ARTÍSTICA, COMO PINK FLOYD À SUA MANEIRA, E TANTAS OUTRAS COISAS QUE GENEROSAMENTE COMIGO SEMPRE COMPARTILHOU.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

OS CARAS




“OS CARAS”, podem ser tanta coisa. Os caras são fodas, os caras são filhos da puta, os caras podem ser “os carinhas” “veja só a ‘lage’ (face) dos carinhas, que caras de pau”. Os caras, podem ser os bambambam (putz, essa palavra ficou tão detestável depois daquele canastrão). Então, entender o significado de “os caras” fica por tua conta.
Os caras dizem que a imaginação constrói tudo. Então é por isso que olho Paris e não construo nada. A cidade me recusa... Mas, insisto... Sartre, Maurice Blanchot, Flaubert, Sade, LAUTREAMONT, e o perfumista, nascendo morto no meio da podridão dos peixes, compondo o cinismo do mundo, construindo o perfume a partir de buceta virgem, ruiva, rosada, e objeto da origem do desejo... Grenouille sendo comido pelos mendigos, pelas suas bocas famintas de aplacar a ira pelo escorraçar de suas míseras existências... Os Caras, os Caras... Olho a torre sem a qual não se reconhece Paris em pôsteres noturnos, não sendo parisiense... Os caras a fizeram... Uns carinhas tomam tereré... uns são legais outros bobos, gosto de todos se não sou obrigado a concordar com os gostos musicais, principalmente... Entre os inteligentes estão os ecléticos, os tolerantes, os não viciados, os justos, os mansos... Os caras tem pressa para o trabalho, tenho que voltar, mas volto aqui, só vim dar um beijo...

QUE GLÓRIA MISERÁVEL VER MEUS GANHOS TODOS SAÍREM DE PERDAS...


Por que não me conforto em mim próprio? Tenho consciência tão miudamente plena, tão acurada, do que deixo de ter simplesmente porque a bondade que busco é justamente a que afasto. Teus cabelos em cachos, loiros, tua pureza e teu cheiro, tua honestidade, teu querer tão correto, teus pedidos tão justos e simples...Afasto de mim tudo isso enquanto o lado negro de minha alma quer nostalgiar meus ombros, meus olhos, quer transformar em fruta seca e escrava, meu coração. Oh, quem dera, Origem, compreender um pouco mais para perdoar essa dádiva de perceber as patetices e não poder afastá-las com cálice e tudo. Assim, eu sou, assim, tão inconstituído. Teus cachos loiros, teu olhar, o adocicado do meio de tuas pernas e dos bicos de teus seios, e tua boca, que saudade de você... Te afastei de mim porque os homens são irremediáveis tolos e sou um homem, um tolo... Mas sei tanto o teu valor, que mesmo que te explique mil e uma noites, não conseguirei de teus olhos as lágrimas que quero. Choro por mim mesmo, como sempre chorei... DS DS DS DS DS DS DS DS DS DS...



O Lime Wire é um programinha conhecido de gente que gosta de arquivar músicas. Então, ele está funcionando. Puxei essas ontem:
God Save The Queen
Holiday in the sun
I fought The law
Johnny be goode
Liar
Lonely boy
New york
Pretty vacant (a que mais gosto, por causa do clip que fizeram com ela).
Should I stay or should i go
streets of london
e outras, e outras, e outras, e outros...
Gravei pro Patrick do 1º ano do Curso de Letras da UFMS, não sei ainda se ele gostou.
Gosto dos caras, das músicas, de algumas pessoas que gostam de punk, mas não de tudo, não gosto de “porquices” nem de violência... Só do som, da beleza simples. Verifiquem que muita gente gosta de punk rock com a mesma opinião que tenho. Ouçam Sex Pistols, The Clash, leiam-lhes as histórias Google adentro, vai ser legal. Bem, Streets of London é muito boa, e tem tudo a ver com Ramones, outra banda fodida de boa!!!

UM DE MEUS TANTOS TEMPOS...




Meu inimigo é o tempo.
Também minha inconstância, minhas dificuldades, minha depressão (e dela tiro boas e ruins coisas), minha desorganização...
Oh, tempo, fugidio quando de ti preciso...
São tantos que quero ver, é tanto que quero fazer, e
Não há condições de prever, reaver, esquecer...
O compasso que martela minha mente é desprovido de ordem...
Varia como quer, e sigo amando as pessoas que desprezam meu amor. Todos a quem amo não se interessam muito por isso. Estou magoado? Ressentido? Sinceramente não,
A aranha faz teias quando não está arranhando o jarro,
O Elefante quer foder a formiga, diz a piada... As minhocas percorrem os buracos úmidos que fazem... tão previsível, tão invisível...
O Tempo prossegue e sou obrigado, com todos meus exércitos e castelos, ser menos, muito menos que um verme, que é objetivo do despertar até a morte prematura da goiaba.
Amor, que coisa é essa? O poste de luz que assombra quando lhe quebram a touca ou o que tiver entre as mãos?
New Order, Temptation,
Essa pequena quebra não ocasiona uma ordem tão lautremontiana quanto eu gostaria e não gostaria. Sirva-me tédio o prenúncio das tempestades que alimentam meus cadernos, e prometo a ti eterna companhia, se suportares minha indiferença aguda...

QUEEN NÃO SE LEMBRA, TRATE DE SABER


Queen, Freddy Mercury. Putz, o cara, quando morreu me incluiu entre os que choram por Airton Senna e outros. No caso, chorei pela triste morte dele, no ano de... hmmm (dá uma googlada aê), e aproveita e olha a música dele no youtube: "Under Pressure", e também a tradução (novamente via google). Sinto saudades de mim, de minha época mais inocente para não dizer ingênua, quando ouço o Queen, além de Legião, U2 e outros românticos. Nem vou continuar senão acabo no ABBA e me aCABBO em saudades, e hoje é segunda-feira. Diário de Bordo: 20082007: registro principal, começados os trabalhos sobre "A Obediência de Lúcifer" (romance).

Agora sim: "SER OU NÃO SER, EIS A QUESTÃO"


O pior de você perceber que os outros têm razão a teu respeito, não é simplesmente que as razões encontradas são quase que sempre verdadeiras quando "os outros" estão aflorados em si próprios, ou seja, tomados de fúria purgatória, disso tiro que os elogios são muitas vezes falsos e quase que sempre, frágeis; e reforço minha opinião de que o ódio contém uma verdade brutal e o amor uma falsidade sutil, aliás esses dois últimos termos são irmãos inseparáveis, mesmo que se distanciem por vezes em razão de má qualidade da sutileza.
As pessoas têm razão quanto a mim no que se refere ao amor. Ao menos é nisso que creio hoje. As pessoas que amo e amei não abrem a boca para dizer que lhes fiz muito mais bem que mal. E aquelas a quem não amei e que reclamaram meu amor, reclamam de tudo em mim, quando o assunto é ego. Portanto, só posso concluir que me dou mal com o amor.
Porém, concluo que me dou mal também com o ódio. Costumo, variando de um para outro a questão tempo, perdoar a todos, mesmo que esses "todos" não cheguem nunca a entender bem em mim como é que funcionam os sentimentos e a instrumentalização desses dois impostores, amor e ódio. A pessoa, objeto de meu "amor" ou "ódio", acaba nunca percebendo se realmente a amo ou odeio. E ódio, assim como amor, para mim jamais foi algo completo, creio que realmente jamais odiei alguém, assim como jamais amei alguém. Tenho o direito de dizer isso sobre mim mesmo porque assim como compreendo muito melhor que qualquer um o que eu faço na arte, penso poder compreender melhor aquilo que intimamente está em mim.
Acho tão ridículas as colocações do tipo: “você pode amar, basta querer..." E pior: "Você tem que dar abertura para o amor"... Bobamente não percebem que a abertura para o amor é a mesma abertura que a natureza encontra para se manifestar em todas suas espécies... Confuso? Bem... Se o amor só acontecesse quando há “abertura”, este mundo não seria tão desencontrado e cheio de traições.
Enfim, estou muito triste, (e para mim a palavra triste nada tem a ver com o que comumente representa), mas, resignado... Só assim me resta o mínimo de aceitação de minha existência. Não posso concordar com meus amigos-inimigos e nem com meus inimigos amigos, e muito menos com os neutros. Na realidade sou um mundo particular a mim próprio, mais que a maioria. Isso, não por qualquer outro motivo que uma destinação nada fácil de explicar. Não sou melhor nem pior que ninguém, apenas penso que em parte por uma nunca explicada inclinação e em outra parte por meu arbítrio, carrego uma cruz chamada Arte.
Não vim para ser inteiro como os outros; e se antes poderia amaldiçoar quem me impediu de me tornar um belo cidadão, cheio de fés e amores, hoje não agradeço, mas compreendo que ela foi instrumento de um jogador poderoso e maravilhoso. Sou da família dos escolhidos para ser cuspido como foi Geni. E esse cuspe e os escarros, serão o ouro e as pedras particulares de um futuro em que imploro para assistir... Fui recusado, esnobado, perturbadora e deliciosamente criticado. Aliás, admiro muito pessoas que me aceitaram muito além do que eu aceitaria alguém tão cheio de defeitos como sou... E aqui não é minha fala uma ironia, estou dizendo com seriedade, realmente eu jamais aceitaria alguém como eu muito tempo intimamente ao meu lado... Sei que sou particular (filho da puta em outra língua) demais para honrar uma parelha decentemente social. Compreendo...
Mas, enfim, sigo... Perdoando no final, mas jamais reiniciando os mesmos erros, embora não creiam em mim os mais íntimos, posso dizer com verdade a mim mesmo, que não cedi a muitas tentações que me dariam a glória rápida e até quem sabe de volta a mais estranha, infeliz e forte de todas as minhas paixões. Tive alguns momentos de fraqueza, que felizmente não duraram o suficiente para eu me tornar o objeto de minhas críticas mais verdadeiras.
Meu objetivo primordial é ser um artista respeitado; deixar uma grande herança ao meu fantasma e a outros que continuarão a mais gloriosa e infame das caminhadas. No campo material quero saldar as dívidas materiais que ficaram para trás, moeda por moeda, e deixar um patrimônio razoável para alavancar melhor os sonhos do meu filho e dos meus filhos adotados, adotarei vários (e adoção aqui, se trata de mecenato, muito mais do que para mim é o mais belo dos atos humanos, e infelizmente inalcançável -hoje- para minhas ações, para o meu pensar e pesar)...

OBRIGADO ANJO DOS CACHOS DOURADOS... PELAS LETRAS...


DEVO MUITO, isso é fato. A alguns devo muito mais que a outros. São dívidas umas possíveis outras impossíveis de se pagar. Então, às vezes quero muito não cuspir em prato que comi, mas há ocasiões em que dá vontade, isso há. No entanto, fazer isso não é inteligente, e muito menos justo. Na realidade as pessoas são muitas vezes maravilhosas, mas não adequadas à gente e no maior das vezes nós é que não somos adequados a ela.
Sou especialmente grato a uma pessoa, que me deu as portas para a faculdade. Fez-me ver que o que faltava era apenas se inscrever no que queria e passar no concurso. E não só isso e muito mais para o retorno que infelizmente não ocorreu todo. Que não pense essa pessoa que não sei que até este momento, foi quem mais me apoiou efetivamente e possibilitou o início da saída do Inferno. Minha reconciliação com a paz. E desejo a ela toda a sorte do mundo. E que entenda que precisamos cada um seguir seu caminho, pois aconteceu o momento disso, sem engenho de qualquer uma das partes e sim pelo natural desenrolar dos fatos e diferentes naturezas de cada um.
De uma forma única, eu sempre a amarei. Na consciência de saber que o que principalmente nos afastou, foi a impossibilidade de eu responder às belas e justas expectativas que ela tem sobre o que seja um relacionamento a dois. Ninguém é perfeito, mas ela chega perto da perfeição e eu da imperfeição moral, então...
Finalmente só posso dizer que será sempre a lembrança mais doce e iluminada de um período de trevas mentais e pragmáticas... E perdôo e quero ser perdoado... Porque entre dois sempre será esse ato um salvaguardo para que mais belas possam ser as lembranças...

"FELIZ ANIVERSÁRIO DANTE SEMPITERNO", IRMÃ LUA E IRMÃS 2010.


Foi um dia especial o meu aniversário. Senti-me afagado, cercado de um carinho que nem nos meus momentos mais otimistas poderia imaginar que houvesse. Voltei para casa coberto de beijos das meninas e com um presente da Cássia, uma camiseta linda, preta, que agradou não só a mim, mas, muito, a meu sócio em camisetas... rsss
Em cada momento muito difícil de minha vida Deus me manda alguém. Felizmente, no momento em que perco a mais forte aliada que tive até aqui, surge essa menina, a Cássia, que se torna minha irmã, a irmã Lua.
Ela tem me socorrido em tudo que pode.
Me salva quanto ao Letras, quanto ao psicológico. Quando não tenho quem me ouça, dá o que de mais caro existe neste complexo mundo de cada um por si; dá ouvidos às lamúrias, coisa tão chata de se aturar, e que só o fazem impassíveis e solícitos, aqueles que entendem a importância disso. E não somente isso, mas aqueles que são realmente capacitados e raros nessas questões.
Tive muita sorte de essa menina rara estar próxima nesses dias, e se dispor a me adotar como irmão, e me apoiar nos projetos todos.
Cássia, logo logo, vi o quanto você é uma pessoa que ilumina e é iluminada, mas não imaginava que teria a sorte de ser escolhido para ser mais um de seus irmãos. Valeu pelo dia maravilhoso que você me deu no dia 31 de julho. Valeu mesmo minha amiga, minha irmã... Nem eu sabia que precisava tanto de um dia assim, que começou com o carinho de toda a turma (puxado por você) e terminou com nossas conversas sobre o mundo, faculdade, vida, e enfim do que tanto gosto de falar, projetos! Valeu minha irmã!!! Valeu mesmo!!! Principalmente você, fez o 31 de julho de 2007, ter o melhor dos sentidos que pode ter a vida.

COINCIDÊNCIA, A BATALHA POR DERIAH

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Foi de arrepiar o que vou relatar após o preâmbulo. Para mim, é claro, e para todos que consigam captar a importância da coisa. Para mim, antes de tudo, porque apesar de esse blog ser um diário aberto e "átrio" de exercício textual para a busca em ser um escritor forte, é um diário.
Férias, e apesar de estar vivendo uma miserável fase financeira, me dei ao luxo de surrupiar umas moedas do essencial e transferi-las para o caixa da vídeo locadora “do Cunha”. Lançamentos a quatro paus (me desculpe Emerson, a Hélios é excelente, mas tenho vivido dias duros) e ainda um brinde cá outro lá, por parte. Já ganhei duas pipocas de microondas, falta-me apenas o microondas... Mas não ganhei apenas pipocas, ganhei um “não lançamento” através do sobrinho do Cunha. À sugestão dele e à brinde, peguei o “Escrito nas estrelas”, o ator é o já envelhecido (para papel de mocinho de romance), mas ainda ótimo, John Cusack e a Kate Beckinsale (aquela de filmes de lobos e vampiros, aquela delícia). O filme é legal, gostei... É daqueles açucarados e bobinhos, mas gostosinhos. O tema é massacradíssimo “há destino nos encontros e nos ‘foram felizes para sempre’ amorosos?” No final dei meia dúzia de merecidas “lágrimas de filmes” ao dito cujo. Ele deitado na neve (para mim o filme acaba ali) e cai a outra luva no seu rosto (querem saber a história da luva? assistam o filme). Depois da “sessão da tarde particular”, saí pra rua jogar passos, balançando com esse negócio de destino e tal... E fiquei com minhas idéias antigas sobre destino, baseadas em Maquiavel que diz: “certamente mais de metade de nossas ações são ditadas pela implacabilidade da natureza, mas Deus nos dá o arbítrio de certa parte”. Temos que nos conformar quando olhamos no espelho e não vemos Gianecchini ou Bundchen, quando vemos que não somos fortes o suficiente para seduzir quem queremos ou reconquistá-los; ou pôr, enfim, príncipes e princesas de contas bancárias respeitáveis, hálito de canela e sono sem ruídos, ao nosso lado. Mas devemos, pela obrigação de termos um cérebro à nossa disposição, batalhar pelo melhor que possa e dar mão ao destino e inclinações iniciais. Qualquer livro vagabundo de auto-ajuda diz essas coisas, a poderosíssima Bíblia e não menos poderosa (sentido literário) obra de Shakespeare também o dizem, estamos cercados por “faça teu destino, no máximo que puder”. Quero ser um ótimo escritor e vou empregar todas as forças nisso... E era nisso que pensava, destino e perseverança, à tarde toda. E no final dela e início da noite fui bisbilhotar o Orkut e andei olhando o Orkut de amigos do meu filho (coisa de pai), e que surpresa fantástica tive. Um de seus amigos, inteligente (facilmente demonstrável: “TV é um item supérfluo. Ao menos para mim.” Com certeza se referindo ao canal aberto) lista como livro que leu “A Batalha de Deriah”. Puxa, foi emocionante... Fiquei realmente emocionado, muito feliz. Parece-me ter sido um “sinal do destino” dizendo “continue, perseveras, estás no caminho certo...”. E para não dizerem que não dei os créditos do clube dos esotéricos, o sujeito é da região de Dourados e Nioaque, justamente localidades que inspiraram a feitura do livro, pode? Bem, ganhei o dia, e muito mais que isso, ganhei uma estrela na particular constelação que chamo “Vida”, que é meu pensamento. Abração, Fagner Godoy Moura... (BabertSM), vale-UUUU.
OBS. TUDO OCORREU MUITO NATURALMENTE, LEMBRO-ME QUE MEU FILHO DISSE QUE IRIA PASSAR MEU LIVRO PARA UM AMIGO VIRTUAL. NA ÉPOCA NÃO DEI TANTA ATENÇÃO, AFINAL JÁ PASSEI PARA TANTAS PESSOAS QUE NÃO O LÊEM REALMENTE, PESSOAS PRÓXIMAS A MIM, ÀS QUAIS QUASE IMPLORO QUE LEIAM E ME PASSEM A IMPRESSÃO. JUSTAMENTE PORQUE QUERO QUE NÃO LEIAM PARALELAMENTE AO COMUM DE LEITORES QUANDO JÁ FOR EDITADO E SIM QUE PARTICIPEM NA FONTE DA REALIZAÇÃO. DAÍ A SURPRESA E A ALEGRIA!

AMO O VOLEIBOL, FUI CONTEMPLADO, VI A MAIOR SELEÇÃO DE TODOS OS TEMPOS...


Fiquei realmente triste pelos torcedores de voleibol da Polônia, que perdeu há pouco para o Brasil. Eu os conheço, não tão de perto que saiba perfeitamente os hálitos alcoólicos de muitos, tanto dos que bebem boa quanto vodca ruim. E não o suficiente para conhecer minuciosamente os muitos que nem bebem... Mas os conheço o suficiente para saber que são bons torcedores de voleibol.
O que é bom torcedor? Um sujeito que raciocina acima do comum dos raciocínios quando “torce” pela vitória de seu time... Que não pensa como uma vaca... Que tem independência em relação ao comum... Exemplo, no auge de certas demonstrações racistas, em que boçais torcedores poloneses de futebol jogavam bananas em bestial demonstração, em certos jogos de futebol, os mesmos poloneses, representados em torcedores de voleibol batiam palmas para Kid. Quem é Kid? Um baita negão, baita jogador de voleibol, baitíssima gente (ele já veio em Campo Grande, nas movimentações do Banco do Brasil em relação ao voleibol). Finalmente, o que quero dizer, e o que acho que direi até minha morte (mesmo que vivesse mil anos) é que somos uns os outros, isso me parece tão óbvio... Estou muito, muito feliz com a vitória do Brasil... Serginho, garra... superação, representação perfeita; Giba, que força (e que força não seja uma palavra carregada de pieguismo); Gustavo, a diferença no ponto mais disputado da peleja; Bernardinho, o General, cuja presença já faz tremer o outro lado... Finalmente, estou feliz com a vitória... Muito feliz. Ganhará o Brasil da Rússia, mais uma vez nessa competição? Não sei... Estou feliz, muito feliz... Amo o voleibol... Falando em amor... O Giba trocou os bigodões por beijos fraternos... O Giba é Homem, muito Homem, no sentido mais admirável da palavra, além de guerreiro por excelência, mostra fraternidade e uma disposição natural em dividir glórias; merece reverências. Omito nomes, porque por mais que fale, o que vale mesmo é o conjunto... Mesmo os nomes que ficam nas sombras olhando tudo, sabendo que foram tão ou mais responsáveis pela vitória, são de aço em chamas...

A GLÓRIA É EFÊMERA, MAS É A GLÓRIA.







Sempre que assisto Drácula de Bram Stocker, lembro-me do dia que marcou meu novo destino. Numa prisão, numa manhã que disputava ainda margem com a madrugada, tive uma experiência que mudaria para sempre a forma de eu conduzir minha vida. Comecei a carregar uma Cruz, um castigo que por outro lado é minha glória, diferentemente do empedernido Conde, que não se vergou às possibilidades do perdão.
Tenho um coração, uma forma de ver, que dificilmente permitirá que eu estoure a existência de Jorge, e mesmo de Dante, e entregue o que vi e sei para o mundo... “Vi coisas que vocês jamais acreditariam...” De lá, daquele dia sem igual em toda a minha vida, tive umas poucas escapadas da realidade que me fustiga os olhos e todos os outros sentidos, com ruídos que jamais me dão paz na alma...
Fazer-me de coitado é coisa que me enoja, e não o sou, pelo contrário, me considero iluminado... Mas, a paga é quase em sangue... E isso não é fácil... Sim, “ser escolhido” traz um amálgama paradisíaco/infernal... Nem mesmo hoje me é possível explicar tudo que ocorreu naqueles segundos únicos, num aprisionamento real que durou dois anos e meio, sem desconfiar até de mim próprio...
Prisioneiro de mim mesmo, de pensamentos que são a própria grade, saí em mágicas e raras vezes para o paraíso, onde esquecido da cruz e luz que carrego, vivi momentos em que fui muito feliz, imperador de mim mesmo... Nesse final de semana que passou, aconteceu...
A mutabilidade da natureza de meus atos e de minha história, certamente não me darão tão cedo dias iguais... Por isso digo, estão todas as horas fugidias guardadas na arca que levo aos lombos; e luto, à suores e sangue, para me conduzir até meu novo paraíso. Não sou mais de ninguém por inteiro, mas por algum certo tempo, alguns minutos ou horas, posso me sentir de alguém... E isso é que talvez não risque minha existência da realidade, é isso talvez que faz em mim, felizmente, o “Sou”.
Obrigado,” entrelace de momentos”, obrigado “sorridente e estranha natureza”, pelo final de semana maravilhoso que tive...

PARA A ANGÚSTIA, O BÁLSAMO DO SILÊNCIO.


Estou totalmente sem inspiração. Mesmo tendo há pouco lido Moliere. Na verdade não ele, propriamente, mas dizeres sobre uma peça onde se dedica a zombar dos preciosismos lingüísticos. Zomba da linguagem empolada. Na peça duas primas são enganadas por falsos nobres que na verdade são homens comuns e até um tanto rudes. Hoje não é um dia fácil, de bom, o fato de que estamos a dois dias das férias. Mas, férias sem dinheiro... argh... De bom também o fato de os projetos literários estarem andando, lentamente, que seja... Mas, assim caminha a humanidade literária, e mais assim ainda, a humanidade literária brasileira...

Mas, disse o Chopra (a mim, detestável como escritor, mas, bom em escolhas) que Kakfa dizia que o universo não tem saída nenhuma senão não se render a nós. Que basta mesmo ficarmos sentados, inertes a não ser olhar uma mesa, e tudo se curvará a nós... Interessante... O trabalho do silêncio... Então, sem inspiração, ouço o silêncio, sua voz absurdamente ruidosa...Claro, Deepak, o silêncio fala. Isso é óbvio, e mais óbvio ainda a quem lida com letras acima do que seja um leitor comum.


Diogo Mainardi, em uma de suas colunas da Veja, diz que o último projeto de Federico Fellini antes de sua morte, era sobre Berllusconi, o ex Primeiro Ministro italiano. Logicamente, sabendo o que sabemos de Fellini e o que sabemos de Berlusconi, não é difícil de deduzir que a obra não seria elogiosa ao objeto. Mas o que mais me chamou a atenção foi algo que Diogo Mainardi disse de si e não dos dois titãs da mídia, política e arte. Disse que sabia exatamente o que Berllusconi pensava (olha, a tempo, não vou lá conferir se é com 1 ou 2 eles o nome do ex Primeiro Ministro, na dúvida, sendo estrangeiro vai com 2) e isso me pareceu familiar. Quem lê "O Elogio da Loucura" de Erasmo de Roterdã e o vê socando o sarrafo em gente (da Igreja) que no geral o acolhia, e principalmente observa o estilo em que ele escreveu, ou então Voltaire (que salto), percebe o que Diogo Mainardi quer dizer. Não é preciso nem ir tão longe... Não percebemos certas personalidades antes mesmo que abram a boca? Imagine se somos "iniciados" com a bruxaria das letras? Freud aprendeu com quem? Segundo Bloom, mesmo não assumindo, apenas prosificou o que Shakespeare escreveu. Sendo assim, o silêncio de hoje mexeu com a pior das minhas naturezas. No entanto, essa pior das naturezas permanecerá em correntes, em cadeias, sob controle... Me lembrei de outros silêncios, os silêncios que certas pessoas que se fazem de úteis dão, a perguntas que a nós importam... O que aconteceu é que li o silêncio de ontem e me enojei. De minha eterna crença em patifes que se fazem de heróis, de diabos revestidos de anjos. Desse tipo ao qual tão especificamente e genialmente tratou Montaigne, ao ponto de ser quase roubado... por gente grande... que não precisava...

PROFESSORES




Hoje, conversei com pessoas as quais vale realmente a pena conversar. Pena que tenhamos que depender da disponibilidade delas para nos dar atenção. Do contrário as ouviria por eternidades uma atrás da outra... São professores... Sabe, com defeitos, com vulnerabilidades, com problemas como todo mesmíssimo ser humano. Mas não, não são, em hipótese alguma, mesmíssimos. Suas identidades são fortes, tem muito mais ricos “traços distintivos”, como talvez diria o Prof. Contini Jr. São pessoas que dizem a verdade quando proferem “não tenho tempo”, “estou sem tempo”... No entanto, muitos deles o constroem, fazem o tempo e dão jeito de receber alunos com as mesmíssimas ou inéditas colocações; pedidos, choradeiras, justas reclamações. Sabe, se fizermos a pergunta certa a eles, receberemos a resposta que precisamos. Olho, nestes que coloco como exemplo, e peço, que eu seja como eles. Peço isso sem receio algum, é um bom professor o que quero ser, além de ótimo escritor. Os livros eternizarão minha condição de escritor e manterão vivas muitas de minhas idéias, tolas ou acertadas. Mas minha biografia de professor é que vai ecoar no mistério que nenhuma religião, das milhares existentes contestou, o tácito “a vida é uma só”. Não, não... O Espiritismo não fala em repetição de vidas, fala em evolução absoluta e de vidas distintas umas das outras... Sou consciente de que a maior dificuldade em meus projetos será chegar à tempera ideal que me dê a identidade de “um bom professor” (a palavra ótimo me enche de desconfianças) . Ser um bom professor equivale a ser herói , nesses dias em que os valores materiais são o pódio constante das atenções humanas. Nestes dias em que esquecemos que o mais importante da vida é viver, um professor pode fazer a diferença quando dá atenção especial a alguém. Hoje eu recebi atenção especial de dois professores sem tempo, e isso me fez se sentir mais crente em tudo que me resta.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

AMO AS PALAVRAS







Sabe, cada um toma suas decisões quanto às questões essenciais. Recuso-me a aceitar como essencial o dinheiro. Considero o dinheiro um elemento da natureza do homem, uma prova cabível de que a religião, com tantos erros, acerta muita coisa: “ganharás o pão com o suor do teu rosto”. E Raymond Aron, um sociólogo, tão poderoso que nublou muitos momentos de Sartre, já colocou que o dinheiro pode ser, por excelência, o mais democrático dos objetos. Há um ponto de vista de que o dinheiro tem o mesmo valor na mão de quem quer que seja...
“As palavras” são o essencialidade número 1 para mim. Falá-las, escrevê-las, evoca arte, fênix abençoada que persigo; e os tolos, homens idiotas vestidos de sábios, morrem defendendo muitas vezes o pior que as palavras têm, sua capacidade de aprisionar. É aceitável que um tirano use as palavras para dissimular ignóbeis intentos e agredir a liberdade sob mil disfarces, que um dia caem. É aceitável ver que o político as usa para mentir, porque a política é quase toda ela uma mentira ("a mentira é a base da sociedade" -Renny, em "Declínio do Império Americano"), seja boa ou ruim. Mas, é ruim demais ver alguém que se serve profissionalmente das palavras ou que a elas jura vida, utilizando-as para envenenar a alma e afastar as chances de todos poderem delas se servir com maior abundância... Explicar isso? Transformar regras em estorvos e não em conduto. Transformar em falso poder o domínio enciclopédico, cognitivo ou interpretativo. As regras não deveriam emperrar o entendimento das coisas, pelo contrário, são destinadas a impedir a confusão... E devem vir suaves, como se todos tivessem 5 anos de idade, sempre... Devem vir lentamente, como explica Exupery, devem ser repetidas quantas vezes for necessário. Logicamente, sei que isso que falo é tão inútil quanto mandar lembranças para quem não se conhece... Mas, são palavras que considero essenciais entre eu e mim.
Sei que sou verdade quando estou profundamente amargo,
Sei que sou verdade quando estou profundamente triste,
Sei que sou extremamente feliz quando redescubro que a grande piada é que amor, amizade, felicidade, esses pássaros que perseguimos implacavelmente não existem, a não ser sob provas intensas...
Sei que preciso da tristeza, da profunda solidão, da amargura, da revolta contra os fatos para me sentir vivo. Quando eu os aceitar bobamente, terei morrido.
Morte, fato natural e irreversível. O modo de encará-la muda conforme a coragem ou a covardia, muda conforme as religiões ou ausência delas. E religiões são infernais plásticos, internos e externos, que começam seu estranho molde já individualmente, e infelizmente, dado a nossa covardia comum frente à morte, quanto mais velhos, mais propensos às religiões somos...
O homem é tão covarde que é capaz de inventar um diabo para lhe carregar os desastres de má consciência, então por que não o seria na hora da morte. Os joelhos se esfolam mais, conforme se envelhece...
Espero suavizar o cinismo que lentamente assume seu posto em minha natureza. Pretendo, a partir de agora, me preparar para a morte e para a vida que posso ter com a proximidade dela.
Vivi intensamente até ser aprisionado pelos meus contra-atos sociais. Ali na prisão, morri. E tive uma chance de renascer. E renascido, ainda à meia construção, vejo minha antiga natureza de paixões carnais, amores, “bom dia vizinhos” virem me atormentar muitas vezes... Mas no meu interior eu reajo. Externamente não há como me transformar em Casmurro, não consigo. Vejo a beleza de minhas amigas, meus amigos, seus atos todos, e não posso ficar imune ao perfume dos jasmins, cravos, rosas, gerânios... E à dança das folhas no vento noturno ou sob as asas solares. Mas em meu interior, na devastada planície de meu universo mental, vou construindo lentamente os castelos azuis e negros de minha gloriosa morte.
Peço que meu Deus, a Natureza, não me mate antes dos setenta anos, acho que até lá terei construído sobre minha morte, a minha vida, sobre a minha vida, a minha morte.

ESCREVER SOB DEUS... EIS A QUESTÃO





Prometo a mim, levar a cabo a inclinação artística que Deus, através da sua e nossa estranha natureza me concedeu. Entre continuar ateu fajuto, “praticar” a Gnose Esquecida (não essa existente por aqui), ser simplesmente um cristão ou cético, como alguns amigos e parentes, este filho da natureza, ainda não se decidiu. Mas, lentamente, a pressão à qual eu gostaria de ser mais imune, vai dobrando meus joelhos.
No entanto, juro pelo sangue e mente que me foram concedidos, que jamais sacrificarei a arte em nome de interesse religioso formal. Se Deus reclamar de minha arte, penso que será ao seu modo, com suas precedências, suas escritas, através de suas melhores assinaturas, abelhas preparando mel, flores e seus mecanismos de sedução, sabores frutais, homens exercendo compaixão..... Em se tratando do Deus, ao qual a rebeldia de minha inteligência concede a possibilidade de Existência, o que ele der estará em livro arbítrio dado. Sendo assim, poderei colocar minha arte a seu serviço... Muitos, isso fizeram, e tal coisa não desqualificou livros, quadros, músicas; como maiores exemplos, alguns cânones religiosos na escrita; hinos como de Haendel na música, quadros com anjos e outras naturezas divinas de Rafael e outros.
E não se perca, então, a arte o seu brilho, enveredando por interesses estranhos à natureza artística brutal de que fala Hölderlin: “Aos mortais convém falar com recato dos deuses. Se, ao luscofusco, uma vez te aparecer uma verdade, numa tripla metamorfose transcreve-a; contudo, sempre inexpressa, tal como é, ó inocente, tal ela deve permanecer”.
Quanto ao Deus a quem consagro uma fé vacilante, a mim nunca pareceu que tivesse contrariedades quanto às peripécias da arte. A arte de que se valeu Ele para tomar os homens foi principalmente a escrita e retórica. Quem duvidar disso que confira e infira. Mesmo os gritos de imprecação de Jeremias pareciam anunciar que teriam vida e vigor na escrita, para que o mundo tomasse a si a loucura de que fala Eliphas Levi. Oh Senhor meu Deus! Objeto de minha confusa fé; minha mente, meu sangue, meus dedos sobre o teclado, minha caneta sobre a folha, minha varredura sobre o mundo e todas as coisas pertencentes a ele, ficarão; para que alguns conheçam o trabalho que parece ter me vindo como algo inaceitável em outro nome que não seja destino...
Escreverei um livro sobre o infeliz papel (compreensão cristã) do personagem Lúcifer. Serão trabalhados dados “históricos”, analisados vários aspectos sobre os personagens e sobre o maior de todos os palcos da imaginação humana. Farei a construção fantasiosa da história do romance para resultar o texto final. Os personagens principais serão: Deus, Jesus, Lúcifer, Miguel, Nexus 36, Belzebu e Eloá. Quando isso é dito, pede-se que o cristão não se ofenda. Ao menos antes de compreender todas as razões, e a principal delas, que moveu a busca pela escrita desse livro.
Não seria tolo ao ponto de me imaginar capaz de subverter uma estranha ordem que perdura como a força do giro dos planetas, segundo a linguagem simplória pela qual explicam exploradores, explorados, homens de bem ou não. Muito menos, seria tolo o suficiente para simplesmente atentar contra a fé cristã dos homens, que já foi capaz das coisas mais belas e mais horríveis de sua própria história.
O que se passa é que desde o princípio, mesmo os homens da Literatura que quiseram fugir do enredo cristão ou religioso geral, de alguma forma, discreta ou direta, muito bem feita ou desastrosa, acabaram por se envolver em tal enredo.
E nossa “tese”, tem como eixo geral o que comumente conhecemos como “O ‘bem’, vence o ‘mal’; o bom vence o mau... Filão explorado desde o princípio da Literatura até o hoje, pois, como é difícil descobrir o que é mal o que é bem, qual é mau e qual é o bom... “A pedra que vos cai na cabeça, certamente é o mal, mas as injúrias e difamações que te fazem, só é mal, se deixas...” Diria Erasmo, em outro contexto...
A história de Deus, de Jesus e a de Lúcifer, mesmo que considerarmos a ausência do revestimento “divino”, nos trazem a todos uma “ansiedade literária”. Quem quiser olhar inicialmente sobre o que se falou agora, busque as obras “Deus” de Jack Miles, “O Guia Literário da Bíblia” de Frank Dermode e Robert Alter, “Jesus e Javé” de H. Bloom e “O Diabo” de Geovanni Papini. Mas isso, só para começar. Pois a maior das vastidões existentes no mundo literário é o trato aos conceitos e reviravoltas sobre bem e mal, que tem como maiores protagonistas de nossos pensamentos os personagens acima.
Sendo assim e por outras razões difíceis ou bastante inúteis de se explicar, iniciamos a escrita do livro “A Obediência de Lúcifer”. Peço a ajuda de meus amigos da turma do Curso de Letras de 2010 e outros especiais, como o Rone, sabendo que em alguns, ela virá fluída no que de melhor há nas relações entre as pessoas. Peço a ajuda de todo professor que eu buscar, com as mais aparentemente patéticas indagações. Peço ajuda, enfim, de todos que pertencem, ao meu ver, ao mais importante dos universos, o universo literário: “O que está escrito, foi falado, e o que é falado, é o mundo dos homens, é ‘os homens” (Jorge, 23.06.2007, baseado em sabe-se lá quantos autores).

sábado, 2 de fevereiro de 2008

BOB DYLAN: Blowing in the wind




Quantas estradas precisará um homem andar, antes que possam chamá-lo de um homem? Sim, e quantos mares precisará uma pomba branca sobrevoar, antes que ela possa dormir na areia?Sim, e quantas vezes precisarão as balas de canhão voarem antes de serem para sempre abandonadas?A resposta, meu amigo, está soprando no vento...
A resposta está soprando no vento. Quantos anos pode existir uma montanha antes que seja lavada pelo mar? Sim, e quantos anos podem algumas pessoas existirem até que possam ser livres? Sim, e quantas vezes pode um homem virar sua cabeça e fingir que simplesmente não vê?A resposta, meu amigo, está soprando no vento...A resposta está soprando no vento... Quantas vezes precisará um homem olhar para cima até poder ver o céu?Sim, e quantos ouvidos precisará um homem ter até que ele possa ouvir o povo chorar? Sim, e quantas mortes custará até que ele saiba que gente demais já morreu? A resposta, meu amigo, está soprando no vento...A resposta está soprando no vento... EI, E VALE A PENA OLHAR O CLIP DESTA MÚSICA DE B. DYLAN PELO YOUTUBE.