CAMPO DOS GUAICURUS

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sábado, 26 de janeiro de 2008

SOMOS SEMPRE MAIS QUE UM. PARTE 1: "JORGE".


Esse aí tem mesmo uma cara de Jorge. De quem é encarregado de fazer com que todos acreditem nesse sorriso falso e inocente, acreditem que a felicidade é entrar na loja ali atrás e comprar uma TV de mil polegadas e um micro de mil incontabilhões de bites. Esse é a quem muitos dizem mentalmente: "é um tolo, apenas um tolo". E tantos acertam, pois para eles é isso mesmo que devo e tenho que ser... Estaremos todos mortos quando essa casca tola estiver há muito rompida e dela tiverem saído os seres feitos de alma, cada um com sua misteriosa identidade lentamente revelada... para a Glória que jamais termina...

Uma experiência noturna, não tão intensa quanto a famosa experiência de Poe, mas exigente de atenção, me fez, a partir de certo período, mergulhar numa vigorosa vontade de melhor decidir sobre carne e espírito. E não poderia tomar decisões sobre tais coisas sem refletir muito sobre elas. Infelizmente, sempre nos esquecemos do limite da reflexão. Lido com pesquisa científica (categoria iniciante, nível 1 do total de 10) e sei também da frustração que pode vir da busca do saber sobre qualquer caco de coisa, mesmo com os serviços do rigor aconselhado por pesquisadores avançados. Só que a busca tem que ser “eterna” enquanto duramos (baseado em Vinícius). E a impotência diante de não achar em volume e qualidade a informação que dará verdade ao nosso objeto momentâneo ou não, tem que ser inimigo enfrentado a vida toda, principalmente para quem enveredou pelo buraco sem fundo chamado “Letras”; se for o sujeito tão sério quanto o objeto. Da experiência noturna saiu finalmente uma resolução temporária que tem sido perene. Aliás, duas decisões em uma. A primeira é finalmente entender que temos muito mais que um ser apenas constituído na vida. Não somos um, em hipótese alguma, somos na melhor das hipóteses - coisa geralmente remota-, dois. E, peremptoriamente, não é esse o meu caso. Resolvi me dividir, por enquanto (esse ‘por enquanto’ à época da inferência) em 5, isso, em cinco, para começar. Ao principal de meus seres dei o nome de Jorge, nome de batismo que na realidade meu pai havia colocado articulado com um infelicíssimo “Aparecido”. Pois bem, esse primeiro ser ficou encarregado de dizer “bom dia”, “boa tarde”, pagar luz e água, dizer que minha vizinha gorda emagreceu que a magra engordou, dizer que a música do Michel ficou esplêndida, dizer que por isso e por isso não fiz isso (aos fdps que “habilmente”, e quase habitualmente buscam me constranger), concordar com X que o filho dele é um prodígio e que parece realmente ser a criança mais inteligente vinda ao mundo e que será um gênio. Concordar com a pessoa que me negou uns cobres emprestados que Deus vai me trazer quase pessoalmente esse dinheiro... Dizer “sim, sim... o Paulo Coelho é fabuloso... ele ‘dá assim altos toques de sabedoria, fantástico”. Também o Jorge Aparecido ficou encarregado de chorar ... Ele é que deve cuidar desse incômodo, desde o choro seco e mudo que brinca de navalha, até as cascatas incandescentes que caem quase com fúria, blasfêmia e um ataque ininteligível ao milagre da vida. Encarregado de processar a fúria pela incompreensão de revelações tão simples. Em troca, receber a punição de entender perfeitamente a ladina construção por detrás das frases inocentes das gentes apenas aparentemente inocentes. Encarregado finalmente de assumir o papel de tolo, aquele tolo que tantos escritores covardes assinalaram que deve ser um padrão, inclusive o glorioso Fernando Pessoa, se for dado total crédito a Saramago em seu discurso na entrega do único prêmio Nobel a um dono de letras portuguesas (até hoje, 2008). De ser o tolo que aceita pacificamente o andar corrente das coisas sem mexer uma palha para intervir na imperiosa lava vital. Jorge Aparecido Rodrigues Ostemberg, está assim escrito na minha identidade, CPF, carteira de motorista (seria Carteira de Motorista? Afinal é um nome próprio... não uma carteira qualquer, e sim algo com que posso, culposamente, matar alguém). Enfim esse nome está em todas esses papéis, lamentavelmente obrigatórios. Jorge Aparecido Rodrigues Ostemberg, a casca, o homem casca. Um pobre coitado de quem sou obrigado a ter pena. E mais pena ainda porque tem mais quatro existências, quatro personalidades, quatro vidas distintas das quais falarei em outros momentos bloguianos. A segunda decisão que tomei foi de carnificar apenas as pessoas que realmente importassem para mim. Isso “carnificar alguém”, não é tão simples, ainda mais se aliado, como fiz que fosse, a um juramento preciso, solene, imperioso e leal: “jamais revelar aos perdedores da oportunidade de eu carnificá-los, que não o eram assim, que para mim significavam na realidade apenas um contorno feito de brumas, desprezíveis como as músicas rasas, e só passíveis de atenção pela implacável construção da natureza social. Eu poderia apenas responder que sim, a aqueles que soubessem que para mim são realmente de rara carne, de raros ossos, de raros olhos-olhares e o que mais importa, de raros e simples cérebros. Isso, valendo para todos os tão variados sexos existentes, contra a vontade tola do império do mundo assumir três, dois com natural facilidade e um com relutância e reticências, mesmo com todas as evidências darwinianas. (pronto, agora já aparece um para dizer: “o cara queima óleo colorido”), mas, quantos carregaram essa sombra, nem sempre tão apenas sombra?). Falarei então, mais adiante, e linearmente, que seja, das outras quatro personalidades e do que é efetivamente para mim hoje, redescobrindo o mundo, o ato de carnificar pessoas.

Um comentário:

ADAUTO disse...

VC É O OSTEMBERG DO CURSO CFS/PM/87?? TEM NOÇÃO DE QUEM SEJA EU?? LEMBRA DO GARCIA?? POIS É, REFORMEI COMO 1º SGT E MORO ATUALMENTE EM SP, ONDE SOU TECNICO EM HARDWARE. ENTRE EM CONTATO PARA TROCARMOS IDÉIAS CASO SEJA QUE PENSO QUE É BLZ. CASO TENHA ORKUT É SÓ ME ADD (GARCIA - 1º SGT PM) ABRAÇÃO