CAMPO DOS GUAICURUS

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quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

HENRIQUE MOLINA : O "ser criança" explica parte da construção poética.




Henrique Molina, transcrito de "O Começo da Busca", do poeta Floriano Martins, de Fortaleza. 

Pois bem, diz o argentino sobre poesia: 

"Em minha infância vivi no campo e creio que a vocação poética nasce de uma espécie de sabedoria inconsciente para receber a mensagem fascinante das coisas; a música misteriosa do mundo. A infância é o momento inicial da poesia, seu campo de cultivo. 

Por sua especial disposição de intuir que a realidade está carregada de segredos sem fim e que as coisas mantém entre si as mais insuspeitadas relações sob suas aparências cotidianas, a infância mantém sua inocência primordial para passar para o outro lado do espelho. 

Seu universo ainda não está estratificado. É ainda fluido e incandescente como o universo da poesia. Essa sua atitude de assombro permanente diante de tudo quanto a rodeia é a mesma atitude da poesia em busca de uma resposta sobre a "abismática" natureza do ser. 

A diferença entre a criança e o poeta é que a primeira ignora a morte. É imortal. Ante a finitude da existência o homem, por sua vez pode cair na angústia, na resignação, ou então na rebeldia e no desafio da condição humana, como em Rimbaud, em Lautréamont, no Surrealismo. Porém, paradoxalmente, a consciência da morte não induz ao despojamento ou à renúncia, mas sim à mais funda raiz do desejo sempre estimulado pelo adeus infinito das coisas...

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