CAMPO DOS GUAICURUS

CAMPO DOS GUAICURUS

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

DIA DOS NAMORADOS !




Dia dos namorados!
Minha namorada eterna, Literatura, salve-me sempre daquilo que te faz, salve-me do mundo e da vida...
Viva hoje à Elaine, porque fez eu entender o que querem dizer quando afirmam a existência de anjos, e ter tido a graça de ter namorado um anjo; à Siane, porque posso dizer que tive uma namorada com a qual jamais briguei, e que andávamos de mãos dadas, à Lucinéia, porque embora não tenha rigorosamente me namorado, salvou minha vida; à Net, porque posso dizer que tive adolescência de “Sessão da Tarde”, à Meire, porque me fez conhecer o verdadeiro inferno, e o conhecendo, escolhi o amor e a Literatura, à Milene, porque não me aceitando em namoro tornou indestrutível uma das amizades mais estranhas que tive, à Carla Raquel, que me provou que contos de fadas são apenas contos de fadas... E, finalmente, um beijo que se espalhe pelo tempo furando-o e encontrando o rosto de cada namorada que tive e que não tive, mas quis ter, um beijo que as faça um dia, de qualquer maneira que escolham os senhores entre céus e infernos, entender que neste mundo, que só nos revela aquilo que quer mesmo, pode haver em estranhezas e mistérios a certeza de que nada acontece por acaso...
Em 1999, decidi morrer (argh, isso me faz lembrar um título).
Mas, em meu caso, era mesmo determinação real.
Avaliei passado, presente, futuro. Avaliei tudo sob ótica prática, filosófica, histórica, religiosa, afetiva, sob todas as óticas.
Concluí que eu era inútil para mim mesmo, principalmente. Meu Deus particular, ou em mim nascido, ou por mim criado, ou a mistura dos dois, ou uma força que perdoa minha miserabilidade em ser desconfiado, não me salvou através do que geralmente salva as pessoas nesses casos tolos. Em mim as forças intelectivas (esqueça o bobo sentido de intelectualidade) titânicas e quase insuportáveis para meu Ser, mal e o bem, se atracaram no plano mental como se um leão contra um tigre no mais alto grau de fúria.
Como todos os momentos semelhantes a esse, daquilo, muita coisa só me aparece nublada... Poderia dizer que uma frincha de covardia veio me salvar, ou ajudar nisso, poderia dizer que vislumbrei meu filho, poderia dizer que um “raio de luz” (o que seria baita cretinice) me apareceu...
Não, o fato é que uma moça me salvou, invertido o conto, a Donzela salvou o cavaleiro que ia à morte. E o fato milagroso é que só ela poderia... Pois a fonte da decisão para o suicídio era uma contra-força avassaladora como em todos os casos desse tipo. Meu lado negro ainda ama incondicionalmente a mulher que passivamente determinou a morte temporária do que é melhor em mim. Novamente, salvo por uma ruiva. Desta vez uma outra; uma ruiva derrotou os vestígios venenosos de uma morena, anulou o veneno que apodrecia as chances da esperança e o sentido da vida. Ali na prisão, tive as mais altas febres do prazer com uma donzela branca como neve e pelos ruivos como as chamas com brasas, mas, mastiguei seca a semente da reesperança.
E de um sinal até hoje não concluso, passei à lida com a Literatura,
A moça que me salvou mora em Portugal, é casada com um moço feliz e tem um filho, ou filha, não sei...
Ela me abandonou quando tudo voltou à ordem, quando sentiu que para sempre eu me livrara da mais tola das idéias, a do suicídio, viu que dali em diante minha companhia principal seriam os livros e a arte, a poesia...
Foi nesse período e próximo dele que estive tão perto de Satã que os pêlos de minha face mantiveram-se por minutos, chamuscados... E tão perto de Deus que a confusão em mim desordenou desde a menos a mais importante das glândulas.
Pretendo morrer sem ser patife quanto às experiências que me ocorreram... Mesmo sob a tentação dos atalhos da Literatura, procuro me conter...
E vou, e vou, e vou...

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

UM SONHO, VÁRIAS LIBERDADES, VÁRIOS SONHOS, A LIBERDADE...




Dois poços, um do lado esquerdo, outro do lado direito. Talvez o construtor da natureza tenha dado, com isso, uma inequívoca dica que se deve ter pelo menos duas maneiras de ver as coisas. Talvez olhar até a nós mesmos de muito mais de uma maneira, para ter mais tesão na vida... E principalmente para julgar mais adequadamente. E talvez seja até obrigação do sujeito que se diz homem, sempre contrapor idéias e estar pronto a aceitar mudanças, estabelecer novos modos de ver antigas ou novas coisas. Os valores eternos, amor, liberdade e poesia, não sobrevivem com viço, com frescor, numa mente que se fecha apenas em um conceito, em uma maneira rígida de analisar as coisas todas. Certamente praticar isso é difícil no início, mas ao dar saída para tal exercício, encontram-se coisas que palavras aqui não têm poder para descrever. Somos todos vítimas de uma violenta carga cognitiva que procura nos transformar em robôs, aliás, somos meio obrigados a sê-los, em termos, e até certo ponto. Mas temos um grande quinhão de liberdade. Quando digo "temos" falo em países ocidentais e democráticos e de algumas exceções orientais. Que nenhuma religião cresça aqui o suficiente para que um grupo de eternos safados castrem nossas frágeis liberdades, que nenhum político "LIBERTADOR", nos venha foder os passos, que tenhamos sim cada vez mais liberdade. Mas sem anarquia, sem irresponsabilidade com o futuro... Que futuro? Bem, isso é para outra blogada! Hasta lá vista!!!

domingo, 27 de janeiro de 2008

Não tenha medo de Satã, ele está a serviço de Deus, tenha medo de ti próprio, pois és guardião de tuas próprias chaves...


Dedico esta poesia a todos que vierem me seguir em meus projetos, ou seja, uns poucos loucos e miseráveis vermes como eu. Que seja... Herdaremos tudo, ou nada! NO CHOICE! Atacar o mal é atacar a nós mesmos, nossa inércia, nossas desculpas miseráveis para não estender de fato a mão, o bolso e o coração... Atacar o mal é vencermos a nós mesmos, e as nossas desculpas, e nossa tola crença em achar que ir a um templo corrompido nos põe fora da obrigação... Dedico esta poesia pessimista sobre o Apocalipse a todos que preferem não cruzar os braços... Que em algum momento entendem que a verdade brutal da lição do sangue em sacrifício, o pão corpo, o sangue vinho, é na realidade um lenitivo, uma redenção, mas não o desvio de nós mesmos, sacrificar-se sem martírio, sacrificar-se sem egoísmo, dois pólos orientadores para o equilíbrio... A escolha é sua, mas escolher não escolher é uma covardia que será um dia cobrada pelo pior de todos os cobradores, tu mesmo!
WWW - O ÚLTIMO SOLO DA QUESTÃO
Eles virão... de todos os cantos, virão com suas canções, com suas angústias, inúteis panelas vazias, com seus largos e batidos calções, novos dos destroçados corações... Camisetas da última eleição... Trarão bandeiras fantasmas... mãozinhas esmagadas sob máquinas, meninas estupradas, indiferenças, humilhações, humilhações, humilhação... Muito sangue, muito sono, ódios vindos de todas as estações. “Eis o avesso do VERBO”, é a última reação. Eles reagiram, reagirão... De nada adiantará tentar se proteger, o inferno estará com todos os gatos gordos sob guardiões que lhes pisam pela eternidade, sem compleição...
Todos os estóicos de braços cruzados pelo castigo, continuarão a assistir, mas desta vez é o castigo imperial dos Céus Gerais, da implacável história que imprimem as notas harmônicas da infelicidade de não entender o que é redenção!
Eles mesmos comporão suas canções... De suas bocas azuis soprará o vento com sangue celestial, a arte inocente e maldosa... Não haverá mais o solapar, porque tudo estará destruído e sem portões... sem bobas canções...
As últimas testemunhas lúcidas, saídas do portal de suas justificáveis e injustificáveis fraquezas, diante e sob o tropel das 16 patas, sorrirão com seus sangues em chamas, e tudo será ceifado, desde o antes dos princípios, passando pelo maior engano de Platão e chegando à pior conclusão: "Penso, logo, é tarde..." eis a última das provas de que é inútil agora, qualquer oração... E minha inveja nunca foi tão triste, estou totalmente fora deles, não socorri, não lhes estendi a mão; não fui eles quando podia, agora a saliva de Lázaro está fora de questão... Estou fora, excluído como os excluí ao fingir preocupação... Aí vem o pior dos encarregados, aí vem o Cão, para sua última e redenta missão, vem Satã, obediente, como sempre foi, enganando quase todos, menos Baudelaire, que avisou: “o melhor de seus truques foi fazer com que todos pensassem que fosse “elE” mera ilusão, fantasia, ficção...”

sábado, 26 de janeiro de 2008

SOMOS SEMPRE MAIS QUE UM. PARTE 1: "JORGE".


Esse aí tem mesmo uma cara de Jorge. De quem é encarregado de fazer com que todos acreditem nesse sorriso falso e inocente, acreditem que a felicidade é entrar na loja ali atrás e comprar uma TV de mil polegadas e um micro de mil incontabilhões de bites. Esse é a quem muitos dizem mentalmente: "é um tolo, apenas um tolo". E tantos acertam, pois para eles é isso mesmo que devo e tenho que ser... Estaremos todos mortos quando essa casca tola estiver há muito rompida e dela tiverem saído os seres feitos de alma, cada um com sua misteriosa identidade lentamente revelada... para a Glória que jamais termina...

Uma experiência noturna, não tão intensa quanto a famosa experiência de Poe, mas exigente de atenção, me fez, a partir de certo período, mergulhar numa vigorosa vontade de melhor decidir sobre carne e espírito. E não poderia tomar decisões sobre tais coisas sem refletir muito sobre elas. Infelizmente, sempre nos esquecemos do limite da reflexão. Lido com pesquisa científica (categoria iniciante, nível 1 do total de 10) e sei também da frustração que pode vir da busca do saber sobre qualquer caco de coisa, mesmo com os serviços do rigor aconselhado por pesquisadores avançados. Só que a busca tem que ser “eterna” enquanto duramos (baseado em Vinícius). E a impotência diante de não achar em volume e qualidade a informação que dará verdade ao nosso objeto momentâneo ou não, tem que ser inimigo enfrentado a vida toda, principalmente para quem enveredou pelo buraco sem fundo chamado “Letras”; se for o sujeito tão sério quanto o objeto. Da experiência noturna saiu finalmente uma resolução temporária que tem sido perene. Aliás, duas decisões em uma. A primeira é finalmente entender que temos muito mais que um ser apenas constituído na vida. Não somos um, em hipótese alguma, somos na melhor das hipóteses - coisa geralmente remota-, dois. E, peremptoriamente, não é esse o meu caso. Resolvi me dividir, por enquanto (esse ‘por enquanto’ à época da inferência) em 5, isso, em cinco, para começar. Ao principal de meus seres dei o nome de Jorge, nome de batismo que na realidade meu pai havia colocado articulado com um infelicíssimo “Aparecido”. Pois bem, esse primeiro ser ficou encarregado de dizer “bom dia”, “boa tarde”, pagar luz e água, dizer que minha vizinha gorda emagreceu que a magra engordou, dizer que a música do Michel ficou esplêndida, dizer que por isso e por isso não fiz isso (aos fdps que “habilmente”, e quase habitualmente buscam me constranger), concordar com X que o filho dele é um prodígio e que parece realmente ser a criança mais inteligente vinda ao mundo e que será um gênio. Concordar com a pessoa que me negou uns cobres emprestados que Deus vai me trazer quase pessoalmente esse dinheiro... Dizer “sim, sim... o Paulo Coelho é fabuloso... ele ‘dá assim altos toques de sabedoria, fantástico”. Também o Jorge Aparecido ficou encarregado de chorar ... Ele é que deve cuidar desse incômodo, desde o choro seco e mudo que brinca de navalha, até as cascatas incandescentes que caem quase com fúria, blasfêmia e um ataque ininteligível ao milagre da vida. Encarregado de processar a fúria pela incompreensão de revelações tão simples. Em troca, receber a punição de entender perfeitamente a ladina construção por detrás das frases inocentes das gentes apenas aparentemente inocentes. Encarregado finalmente de assumir o papel de tolo, aquele tolo que tantos escritores covardes assinalaram que deve ser um padrão, inclusive o glorioso Fernando Pessoa, se for dado total crédito a Saramago em seu discurso na entrega do único prêmio Nobel a um dono de letras portuguesas (até hoje, 2008). De ser o tolo que aceita pacificamente o andar corrente das coisas sem mexer uma palha para intervir na imperiosa lava vital. Jorge Aparecido Rodrigues Ostemberg, está assim escrito na minha identidade, CPF, carteira de motorista (seria Carteira de Motorista? Afinal é um nome próprio... não uma carteira qualquer, e sim algo com que posso, culposamente, matar alguém). Enfim esse nome está em todas esses papéis, lamentavelmente obrigatórios. Jorge Aparecido Rodrigues Ostemberg, a casca, o homem casca. Um pobre coitado de quem sou obrigado a ter pena. E mais pena ainda porque tem mais quatro existências, quatro personalidades, quatro vidas distintas das quais falarei em outros momentos bloguianos. A segunda decisão que tomei foi de carnificar apenas as pessoas que realmente importassem para mim. Isso “carnificar alguém”, não é tão simples, ainda mais se aliado, como fiz que fosse, a um juramento preciso, solene, imperioso e leal: “jamais revelar aos perdedores da oportunidade de eu carnificá-los, que não o eram assim, que para mim significavam na realidade apenas um contorno feito de brumas, desprezíveis como as músicas rasas, e só passíveis de atenção pela implacável construção da natureza social. Eu poderia apenas responder que sim, a aqueles que soubessem que para mim são realmente de rara carne, de raros ossos, de raros olhos-olhares e o que mais importa, de raros e simples cérebros. Isso, valendo para todos os tão variados sexos existentes, contra a vontade tola do império do mundo assumir três, dois com natural facilidade e um com relutância e reticências, mesmo com todas as evidências darwinianas. (pronto, agora já aparece um para dizer: “o cara queima óleo colorido”), mas, quantos carregaram essa sombra, nem sempre tão apenas sombra?). Falarei então, mais adiante, e linearmente, que seja, das outras quatro personalidades e do que é efetivamente para mim hoje, redescobrindo o mundo, o ato de carnificar pessoas.

Amar é...







Os de minha geração, talvez se lembrem de uns bonequinhos que ilustravam as frases de uma principal: “Amar é..”. Então... Coisas como: “amar é passar manteiga no biscoito dela; é não se importar que ela o acorde; que troque seu canal de TV favorito...” essas coisas. Então... Talvez amar seja a simplicidade, talvez a complexidade, talvez tanta coisa... Se o amor fosse tão facilmente definível, não teria, quem sabe, havido guerras entre povos que levantavam o estandarte de um dos amores mais antigos do mundo, o amor chamado fé. Mas tem uma amiga minha que ama, ela escreve o nome dele no caderninho dela, na cor maravilha desenha um coraçãozinho e do outro lado escreve o nome dela... Ela me diz: “puxa, estou sentindo uma vontade tão forte de abraçar ele, uma saudade intensa”. E eu, achando que ela não o vê há dias digo, “chame-o para vir”, e ela diz: “mas ele foi embora há pouco”... Ela é desenhos dele, é pensamentos dele, é poesia dele, é dedicação... É, acho que minha amiga ama. Mas, não posso, por dizer que ela ama, saber eu o que seja amor. No entanto, vou continuar tentando saber ao menos próximo, o que é isso; que intriga tantos e envolve todos em ações e discussões, em atos e fatos, em desacatos e choros nos cantos, em fogo, em flutuação, em perdas e ganhos, em confusão de valores e atritos ou conciliações familiares, em tragédias, em fugas e encontros...



(OBS, ISSO FOI ESCRITO HÁ UM CERTO TEMPO, ESSE CASAL NÃO NAMORA MAIS, NA VERDADE NÃO SEI HOJE, QUAL A RELAÇÃO PESSOAL ENTRE ELES, MAS, PEÇO PERMISSÃO PARA DEIXAR AÍ O EXEMPLO, POIS, COMO SOMOS EM PARTE CONSTITUÍDOS DE TEMPO, FEITOS NA FORMA DE UM MOSAICO MEMORIAL, CREIO QUE VALE A PENA DEIXAR ESSE CACO TÃO INDEPENDENTE, ESSE MOMENTO TÃO MÁGICO PELO QUAL TANTOS HUMANOS PASSAM, CADA UM PARTICULARMENTE)

UMA VITÓRIA DE MENINO (NO MELHOR CONCEITO DESTA PALAVRA, POÉTICA DE HENRIQUE MOLINA).



Hoje Massa ganhou. Felipe não conseguiu senão nos frustrar nos primeiros prêmios dos quais participou. Nós, com essa nossa maneira de julgar sempre querendo os resultados da perfeição. Assim é que digo que nos frustrou, pois, não se pode efetivamente classificar como frustração, performances que trouxeram dos primeiros prêmios uma corrida de recuperação e, se não fossem falhas mecânicas teria feito o topo do pódio antes, quem sabe. Mas em relação à Letras, o que me chamou mais a atenção foi o momento da "musiquinha do Senna", ou alguém dos tempos dele chama diferente essa música? A Globo, indecisa no início do evento "Morte de Senna" resolveu "preservar" o hininho. Mas, finalmente, concluíram -não se pode arriscar com certo nível de segurança um palpite amplo sobre isso, que é apenas uma inferência de minha parte- que a música deveria ser atrelada à vitória, para, quem sabe, enriquecer o espetáculo que lhes traz justos lucros. Mas o problema do fato final, é que, naquilo que Genésio explicou, ficamos com um sentido atrelado a pequena harmonia musical. E ao ouvir a música, creio que seja muito difícil para quem viveu a geração Senna, desvinculá-la dele e "sentir" a música como um simples hino de vitória. Mas, finalmente, foi gostoso ver, sentir a vitória desse piloto com jeito de menino. Que a alegria vença a desconfiança, que o presente seja imperturbável, não se acanhe com o fato de que pode ter sido apenas uma abertura de uma direção enganosa chamada esperança. Afinal, o esporte, mesmo sobrevivendo do melhor do humano, das glórias, é decisivamente efêmero... Tchan tchan tchan... tchan tchan tchan...

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

A LOUCURA ETERNA E VIVA DE ERASMO


ESSE SUJEITO AÍ EM CIMA É UM DOS QUE MAIS ADMIRO. SE CONSIDERADO QUE CERTOS MORTOS SÓ TEM A MORTE NO PLANO ENCONTRADO PELA NATUREZA, PARA ALIVIAR A CARNE DOS PESADOS TRIBUTOS DA VIDA (vi isso em "O Evangelho, de Saramago). ISSO ESTÁ EM ENTREGÁ-LA A VERMES, A DE BRÁS CUBAS ATÉ HONROU ESSA SAÍDA (Machado de Assis), OFERECENDO AO PRIMEIRO VERME QUE A CARNE LHE DEVORASSE, UMA GENIAL 'BIOGRAFIA'. CONSIDERANDO QUE TALVEZ NÃO SEJA APENAS UM CÉREBRO PARA CADA DEDO, CONFORME DIZ SARAMAGO, QUE EXISTA, E SIM UM PARA CADA GENE EM NÓS, QUEM SABE CADA GENE DESTE, SOFRA EM SI O PESO DE UMA ETERNIDADE, A QUE CABE MUITA DESCONFIANÇA. CONSIDERANDO TUDO ISSO, A LOUCURA É A MAIS PLAUSÍVEL CONDIÇÃO PARA A EXISTÊNCIA HUMANA.

O NOME "DELE", DO SUJEITO DA FOTO, ESTÁ NO TEXTO, ABAIXO...

Inimigo implacável da reflexão, a arte de consumo tipo descartável, que denuncia Bauman, vem tirando as chances de formarmos uma opinião coletiva forte o suficiente para mudar o que tanto criticamos. 

Quando digo criticamos, é porque para mim isso aparece nitidamente, sim, criticamos, é óbvio. Ouço as vozes que passam próximas a mim, analiso-as. Não tenho um círculo tão amplo e profundo de amizades. Aliás, por mais que me esforce, não consigo ser amigo de ninguém para valer, quando se põe como parâmetro, o conceito sócio-industrial-burguês,.. Não tenho amizade com intelectuais de grande porte, não tenho amizade com gente de posse material, amizade, eu digo. Mas vejo essa gente toda se expressar, vejo seus atos, ouço suas vozes através da escrita. 

Uns reclamam falsamente, é claro, mas a grande maioria reclama do que só pode ser resolvido com união, com acordos, com respeito, com uma análise profunda (isso mesmo, profunda, e não é exagero, do que seja a frase “Eu não tenho tempo”). 

Afirma-se que a Holanda tem uma grande parte de seu território vinda de batalhas com o mar, onde de parte deste fez terra de morada e comércio. Fico imaginando... A necessidade ou a fibra holandesa é que fez tal enorme benefício? Se fossem brasileiros, a necessidade teria conseguido no caráter brasileiro o que lá se conseguiu? 

Meu amor pelo Brasil e pelos brasileiros em parte é muito da Compaixão de que falou Jesus Cristo, da universalidade, e como não acreditar em Jesus Cristo e no que ele falou, se acredito mesmo que patos falam, do contrário não teria conseguido ler direito “Tio Patinhas”. 

Sou agnóstico teísta, no sentido de que um ateu pode ser contraditória ou paradoxalmente teísta; é assim nessas coisas; ser ateu pode ser apenas não frequentar eclesiásticos quaisquer; sou um ateu muito fajuto, tenho momentos de intensa fé, mesmo que sempre solenemente cercada de confusão e dúvidas. 

Então, amo meu povo, minha raça, minha vila, meus vileiros, amo todos que não se transformam em inimigos mortais, pois quando isso acontece, primeiro preciso resolver tal questão para voltar a amá-los. Estou olhando tudo o que escrevi, assim, tudo nu, sem revisão alguma e imaginando “nasci surrealista e não me fiz surrealista, repetindo: 'surrealista' porque quero”. 

Sou realmente amalgamático e talvez isso não tenha remédio algum. Mas tentarei ter várias linhas de pensamento e escrita, tentarei respeitar alguns gêneros básicos e vou buscar utilizar linguagens adequadas, porém, algo é certo, reinará sempre, sobre tudo, o surrealismo. Que surrealismo? Sei lá, se soubesse certinho o que seria, não seria surrealismo. 

Comecei falando em arte de consumo e é assim que devo encerrar. Não quero problemas com a Laurine, ela gosta do gênero sertanejo (arte) numa forma que só se responde pela mesma linha que amam Beethoven. A Laurine é boa pessoa, boa amiga e sou obrigado a respeitar nela seus gostos e ao menos por desconfiança, perceber que há muito mais coisas no mundo sertanejo que as simplórias letras de paixão. 

Quando atiro em arte pop tipo d ou acima, não é na questão de gosto pessoal. Acho o gostar de foro tão íntimo quanto a fé; se me dizem que um parafuso é Deus, que argumentos efetivos tenho para provar o contrário? O que critico é que às vezes nos unimos para cultuar a arte pop e entrando em letras não há como não jurar compromisso com o mundo reflexivo, talvez bastante contrário ao pop d-acima, quando não o está desconstruindo para algum intento laboral na área linguística. E, certamente, esse mundo só terá consistência e importância se entendermos que as letras vão muito além da paixão... E que a arte pop d-acima tem seu momento, como tudo tem seu momento. O que tem tido carência extrema de tempo são os momentos de suor e sangue, de efetividade dedicada a eterna tarefa impossível de intelectivar o mundo. 

Perguntar o que é a loucura no mundo e em que extensão ela existe, exige ir àquele lá de cima, e é um incursão para lá de maravilhosa, ler Erasmo de Roterdã, o louco holandês, capaz de cruzar pontes entre os mares todos e terras conquistadas do mar... O elogio da loucura... 

ERROS, CAPACIDADE, RUDYARD KIPLING.





ERROS

Que ótimos são os erros para a nossa área e para o período que estamos vivendo. Quem tem vontade mas falta coragem tem que acreditar na palava "vamos". Vamos escrever, todos... aqueles que se sentem impelidos. No Facebook, nos jornaizinhos, nos murais, em blogs, vamos escrever... Vamos ERRAR sem medo e pedir ajuda, se isso calhar; e analisar; analisar, isso parece sempre calhar. Vamos usufruir o mais perfeito espelho da alma, a escrita, o diário. A crítica saudável é a sombra benéfica que pode ser chamada de "anjo que guarda", e a desdenhosa, a cegueira a ser ignorada

Bem, sai aqui o errante Dante Sempiterno, para entrar um sujeito para falar algo mais belo acerca disso: Rudyard Kipling:

"SE ÉS CAPAZ"

Se és capaz de manter a tua calma quando todo mundo em redor já a perdeu e te culpa. De crer em ti quando estão todos duvidando; e a esses, no entanto, desculpar;

Se és capaz de esperar sem te desesperares, ou, enganado, não mentir ao mentiroso, ou sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares. E não parecer bom demais ou pretensioso;

Se és capaz de sonhar, sem fazer dos sonhos os teus senhores. De pensar sem que a isso só te atires,Se encontrando a desgraça e o triunfo conseguires tratar da mesma forma a esses dois impostores; 

Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas em armadilhas as verdades que disseste e as coisas por quais deste tua vida estraçalhadas, e refazê-las com o que de bem pouco te reste;

Se és capaz de arriscar numa única parada tudo o que ganhaste em toda a tua vida e perder, e ao perder, resignado, sem nunca dizer nada, tornar ao ponto de partida; De forçar coração, nervos, músculos, tudo a dar seja o que for que neles exista, e ao persistir assim quando exausto contudo resta a vontade em ti que ordena: “Persiste”;

Se és capaz de entre a plebe não te corromperes e entre reis não perder a dignidade e a naturalidade;E dos amigos, quer bons quer maus te defenderes;

Se és, a todos que pode, ser de alguma utilidade; Se és capaz de dar segundo por segundo, ao minuto fatal todo o valor e brilho; Tua é a terra com tudo que existe no mundo, e o que é ainda muito mais, és um homem meu filho!


quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

SE, SE, SE... BEM, MELHOR É CELEBRAR (de Rilke)


Se Beatriz tivesse amado Dante, tivesse a ele se dado como esposa e o cuidado até os dias finais, teríamos a "Divina Comédia"? Gide diz que com bons sentimentos se faz péssima Literatura e Oscar Wilde diz que toda má poesia é sincera. Eu não tenho mais terra fértil em meu coração, creio. Será que serei um bom literato? 

Ao menos é o que perseguirei implacavelmente até o final de meus dias. Não creio que basta ser triste ou ter levado uns chutes na bunda para ser bom poeta. E como ensinou a prof. Rosana Zanelatto, não basta apenas ler muito... Talvez eu morra medíocre escrevendo sobre papéis chamados "esperanças". Mas, mesmo que isso acontecer, até o último segundo de minha vida, saibam, estarei tentando ser um bom escritor e alguém que saiba razoavelmente sobre Literatura. 

Não sei se o destino é que me fez, do nascimento até aqui, predestinado à realização poética, prosa literata, proesia... Na realidade creio que nasci com inclinação para a arte, no modo como afirma Sartre: a "vocação inicial"... De resto, sei lá... Sei é que gosto muito de escrever e escolhi fazer Letras por amor... Não sei se algum dia termino o Curso de Letras. É importante? Sim, claro que é; mas  há importância maior para mim em letras, fazê-las, mais que estudá-las.

HENRIQUE MOLINA : O "ser criança" explica parte da construção poética.




Henrique Molina, transcrito de "O Começo da Busca", do poeta Floriano Martins, de Fortaleza. 

Pois bem, diz o argentino sobre poesia: 

"Em minha infância vivi no campo e creio que a vocação poética nasce de uma espécie de sabedoria inconsciente para receber a mensagem fascinante das coisas; a música misteriosa do mundo. A infância é o momento inicial da poesia, seu campo de cultivo. 

Por sua especial disposição de intuir que a realidade está carregada de segredos sem fim e que as coisas mantém entre si as mais insuspeitadas relações sob suas aparências cotidianas, a infância mantém sua inocência primordial para passar para o outro lado do espelho. 

Seu universo ainda não está estratificado. É ainda fluido e incandescente como o universo da poesia. Essa sua atitude de assombro permanente diante de tudo quanto a rodeia é a mesma atitude da poesia em busca de uma resposta sobre a "abismática" natureza do ser. 

A diferença entre a criança e o poeta é que a primeira ignora a morte. É imortal. Ante a finitude da existência o homem, por sua vez pode cair na angústia, na resignação, ou então na rebeldia e no desafio da condição humana, como em Rimbaud, em Lautréamont, no Surrealismo. Porém, paradoxalmente, a consciência da morte não induz ao despojamento ou à renúncia, mas sim à mais funda raiz do desejo sempre estimulado pelo adeus infinito das coisas...

POESIA PEDE POESIA






ESSA AÍ ACIMA É CHRISSIE HYNDE VOCALISTA DO THE PRETENDERS, OUÇAM "STAND BY YOU", DELA, VEJAM A TRADUÇÃO EM PORTUGUÊS E TREMAM.

Hoje alguém me "pediu uma poesia". 

Fico pensando... "Serei literato, caso não morra antes, enfim, nada aconteça antes de meu "ser literato". 

Mexerei até o final de minha vida com poesia. E sabendo que a maioria das pessoas sabe muito pouco de poesia, mesmo que utilizem a poesia o dia todo, o tempo todo, na necessária magia de linguagem. Sim, porque o que realmente difere os homens do restante dos animais é a poesia. Cérebro complexo? Sim, por causa da poesia. Se Deus existe, com certeza a primeira reivindicação que faria à humanidade é de ser Ele o maior poeta. Sua escrita é o mundo, a beleza da abelha amarela e negra, a penetração sexual com paixão mútua, o choro de um bebê sendo aliviado, águas limpas, peixes livres ou fritos... Um gol do Ronaldinho com a camisa do Palmeiras, enfim, a complexidade do mundo.

Mesmo o "lado negro", os crimes e as barbáries que se alastram pela parte ruim do livre arbítrio. A pessoa que me pediu "uma poesia pra ela", tem direitos, muitos, é uma pessoa especial, aliás, especialíssima. E por isso colocarei uma pequena poesia para ela ao lado do escrito que transcreverei, de um poeta argentino. 

As pessoas não conhecem poesia, e nem os poetas conhecem direito a poesia... Mesmo os gênios nela se confundem... Mas essa palavra, conceitual ou magicamente, e às vezes até comicamente, vai existindo, vai existindo... 

Poesia, dos cabelos longos e amarelos, do sorriso metálico de menina, do soluço comovente e olhos ardentes... Poesia de se render sempre ao final para que haja a solenidade da calmaria... Moça sempre, tímida naturalmente... ruboriza e desconcerta-se com conversas sobre semente... Oh Deus, protegei essa moça de cabelos de sol ardente... Ela nunca mente, ela "É", e o Senhor, certamente, tem em seus anjos muito dessa moça do mundo, uma moça antes de tudo, decente.

O FANTASMA DE SARTRE



O fantasma de Sartre me persegue, e acho, sinceramente, que não terei como me livrar dele até o final de minha vida. 

E por que ele me incomoda, me persegue? Por que muitos que resolvem seguir a carreira de literatos, mesmo os mais modestos, pequenos como eu, são incomodados, perseguidos por Sartre? Por que ele faz isso? Talvez porque queira nos ver expostos, queira que melhoremos a sociedade de forma corajosa, firmemente apontando onde falta ética, onde está a podridão e dando nomes... Talvez porque ele, mesmo tendo morrido cansado, e alguns dizem, desiludido com “as palavras” e a força que ele julgou em certo tempo que elas poderiam ter, trabalhou no propósito de melhorar o mundo através da força de sua escrita e do acesso a portas que essa escrita lhe abriu, mesmo com grandes erros, como distribuir panfletos pró-Mao, afinal, isso “faz parte”... 

Olhando  em um noticiário o deboche de criminosos que roubaram milhões através de golpes pela internet, olhando o escárnio deles perante uma Justiça que certamente julgam uma piada, para fazerem aquele show de “iuhuuu, isso é um BBB” ao serem flagrados e presos numa operação da PF; e olhando um grupo de deputados pleiteando mais dinheiro para suas contas pessoais, dá-me uma vontade danada de escrever na linha sartreana. Mas, aí me pergunto muitas coisas, entre elas sobre o estigma que, de maneira inexorável, carrego e que faz com que meu pé tenha o famoso calcanhar de vidro. Pergunto também sobre os efeitos, sim porque vejo profissionais fortes em determinadas revistas, “gritando”, sobre os exemplos positivos dos países que enfrentaram problemas exatamente iguais aos nossos e estão vencendo. Também observo esses mesmos jornalistas, e outros, de outros veículos não menos respeitáveis, apontar com precisão quem são os bandidos, os ladrões, os corruptos e apontar, através de dicas de cientistas e especialistas, quais os rumos certos... Tudo isso para ver como resposta um silêncio solene, do lado de quem deveria agir e não apenas silenciar ou vir com os velhos contos para criança dormir. 

Pois as notícias vão se repetindo, repetindo; a violência, os crimes, os roubos que fazem Ali Babá parecer escoteiro roubando merenda alheia... E eu penso... Arte... Prefiro a arte. Melhor criar um gambá chamado “XYZ” e sobre ele descarregar uma intensa fúria porque o bicho furtou por baixo da tela de um galinheiro mal arquitetado, uns três ou quatro frangos, e ali próximo mesmo, os assassinou impiedosamente, os devorando sem muita cerimônia, com pena e tudo. Mas, com o que tem restado no meu coração para que eu acredite em fantasmas, em especial no de Sartre, e acredite em alguns cacos estranhos que junto e chamo de Deus, peço: “Acontecei um milagre, que dono dele seja qualquer deus que o queira assumir, não importa que seja um obscuro deus de alguma tribo que nem comida ou saúde tem conseguido, mas de repente desperte tal pequeno deus para um milagre... Ou que seja um poderoso deus que tem milhões de sacerdotes e seus milhões... de fiéis. Não importa quem seja o dono do milagre, o que importa é que ele venha, que aconteça. 

Que se abra ao mesmo tempo o cérebro fétido de quem anda em falta com as grandes vestimentas profissionais, para que seja arejado pela verdade e pela inteligência, pois verá que o dinheiro roubado não o protegerá e a seus filhos de nada, e não os farão felizes; o coração que só tem trabalhado para o cinismo para que se inunde não só de caridade mas de coragem para enfrentar o mal que tem rostos, contas bancárias e diplomas. Um milagre, nem que seja Papai Noel que o faça, um milagre que movimente todos os poderosos e profissionais para salvar o mundo que se vê roído sistemática e, há muito, já não mais lentamente, pela estultice e ganância. 

Ficarei na arte, sou covarde demais para ouvir Sartre. Prefiro jogar sal atrás das portas para que ele suma e esperar um milagre. Quem sabe os jornalistas que ouvem Sartre e implacavelmente escrevem sob minha inveja, consigam algo... ficarei assistindo, enquanto preparo um medíocre soneto em meu pequeno bunker. Depois de descobrir certim certim, o que é mesmo um soneto... E se bunker se escreve assim mesmo... Lidar com escrita é estar constantemente perdido de si e de todas as coisas... Seguimos!